Unidade de Hospitalização Domiciliária do S. Bernardo celebra 3º aniversário

A criação de uma segunda equipa já foi aprovada pelo conselho de administração do hospital. Para já, o serviço, iniciado há três anos e que já abrangeu perto de 500 doentes, é assegurado por quatro enfermeiras e duas médicas que o Semmais acompanhou durante uma jornada.

São nove da manhã e numa pequena sala do quarto piso do São Bernardo, em Setúbal, já se vai preparando mais uma jornada da Unidade de Hospitalização Domiciliária, uma rotina se repete há três anos. À frente da equipa, desde a sua criação, em junho de 2019, está a Dra. Paula Lopes, que vai explicando ao Semmais como nasceu este serviço. “Já havia uma grande expectativa. Os hospitais foram incentivados a criar estas unidades, depois do Hospital Garcia de Orta, em 2018, ter tido sucesso naquela que foi a primeira unidade a nível nacional”, revela a responsável.

A Unidade de Hospitalização Domiciliária permite, segundo a médica, “prestar o tipo de assistência e tratamento em casa, que o paciente teria no hospital, sempre garantindo as mesmas condições de terapêutica e segurança”. Para a coordenadora, a grande mais-valia deste internamento é permitir aos doentes que permaneçam nas suas habitações, nas suas rotinas e junto dos familiares.

Paula Lopes, destaca ainda, o detalhe de se evitarem outro tipo de infeções. “Os pacientes estão mais protegidos de outras infeções hospitalares, que muitas das vezes são a causa para o prolongamento dos internamentos, da morbilidade e da mortalidade nos internamentos convencionais”, exemplifica.

Segundo a responsável, regista-se um investimento crescente neste tipo de serviço prendendo-se com a necessidade de rentabilizar as estruturas hospitalares. “Todos os hospitais passam por falta de meios e de recursos. Quanto melhor os conseguirmos aproveitar e dirigir segundo a necessidade dos doentes, sem comprometer o seu tratamento e a sua segurança, melhor”, reforça.

 

Vários critérios para beneficiar dos serviços em casa

Para beneficiar deste tipo de internamento, os pacientes devem obedecer a uma variedade de critérios, como ter um diagnóstico definido (uma doença aguda ou crónica), que o tratamento para a doença consiga ser assegurado em casa, que o internamento seja voluntário, e que o paciente seja independente, ou que em caso de dependência esteja a cargo de um cuidador a tempo inteiro. Junta-se ainda o facto de a unidade estar limitada a uma área geográfica que não exceda os 15 km ou 15 minutos desde o Centro Hospitalar.

Quase a sair para mais uma ronda aos domicílios, a enfermeira Ana Diz, já com os detalhes ultimados, descola-se do computador e segue com atenção a conversa com a médica coordenadora. A enfermeira está desde início na unidade e enaltece a iniciativa. “Acredito que com este tipo de internamento conseguimos dar um cuidado mais próximo, mais atento. Acaba por ser um cuidado mais humanizado”, partilha com a nossa equipa de reportagem.

Igualmente atenta às palavras da enfermeira, Paula Lopes acrescenta ainda que este serviço oferece um acompanhamento mais abrangente, não se limitando aos cuidados hospitalares. “Estamos sempre disponíveis para trabalhar em articulação com as assistentes sociais e com a comunidade para que os pacientes possam ter todas as condições e acompanhamento”, revela a médica, explicando que “as pessoas por vezes não sabem, mas conseguem obter ajudas, como por exemplo uma cama articulada ou uma cadeira de rodas, e nós podemos articular os serviços e conseguir que essas pessoas cheguem a essas ajudas”.

A unidade já tratou de cerca de 500 doentes, dos 18 aos 101 anos, segundo a responsável, com uma taxa de satisfação máxima. “Pelo acompanhamento que damos, conseguimos criar nas pessoas uma verdadeira sensação de segurança. Elas sabem que em qualquer caso de necessidade serão atendidas”, refere.

 

Equipa de médicos e enfermeiros aguarda expansão

A equipa, que neste momento conta com quatro enfermeiras e duas médicas fixas, faz um acompanhamento 24 horas aos pacientes. A coordenadora explica que, pela dimensão da equipa e a limitação geográfica que têm, não podem acompanhar mais que cinco ou seis doentes em simultâneo. “Está já prevista, tendo sido aprovada pelo conselho de administração, a criação de mais uma equipa para esta unidade, o que nos permitiria chegar a pelo menos 10 a 12 utentes”, revela a médica, que está expectante em relação a esta expansão.

Passam poucos minutos das 10 horas da manhã, quando a clínica Geetha Girithari e a enfermeira Ana Diz deixam o Hospital de São Bernardo, para a ronda aos domicílios. Ao volante vai Carlos Gregório, um dos três motoristas da unidade. “É um serviço mais personalizado. Elas podem dedicar aqui um tempo ao doente, tipo quarenta minutos, uma hora, algo que não conseguiriam fazer no hospital”, afirma Carlos, enaltecendo o trabalho deste serviço.

A primeira paragem é no Pinhal Novo. A paciente M.M.L (por privacidade não revelamos o nome dos doentes), com passado oncológico, é uma das novas doentes admitidas no internamento domiciliário, onde agora trata de uma infeção urinária. Girithari faz as habituais observações, enquanto a enfermeira prepara a medicação. Agora em casa, ao cuidado das filhas, M.M.L estava desejosa por regressar. “Elas (as filhas) são o meu motor de arranque. Aqui em casa posso estar muito mais descansada e elas também”, revela a paciente.

Ainda no Pinhal Novo, a equipa vai dar alta a outro paciente, que também esteve em cuidados por uma infeção urinária. L. C, um doente com tetraplegia, que devido à sua patologia dispõe de uma algália permanente, fez um balanço positivo do tratamento domiciliário, e a sua esposa até brincou: “Ele estava desejoso de vir para casa para comer a sua sopa de tomate”. A viagem segue-se por Palmela e, depois, Setúbal, para cuidar de mais dois pacientes, acabando depois das 13h00, com o sentimento de dever cumprido.