O que fazer da Europa

É difícil hoje assistir às tiradas de Trump e companhia e não entorpecer a mente, tal o grau de loucura deste grupo de oligarcas americanos que envergonham o mundo ocidental e ameaçam a civilização liberal e moderna que tanto custou a consolidar.

Como já se viu, com a administração Trump os perigos são de tal dimensão, que a Europa corre o risco de ser contaminada, nomeadamente naquilo que são os seus valores identitários e dimensão social.

A nova ordem mundial preconizada por Trump e seus acólitos é garantir negócios, fazendo tábua rasa dos direito internacional, numa política de ganância, onde se pode comprar países, trocar apoios por pedras raras, confiscar territórios para explorar petróleo, gás natural e afins. Tudo isto ao arrepio dos direitos humanos.

E o pior é que esta política de terra queimada vai vingando pelo cansaço e pela normalização da loucura. Cansados da guerra, os ucranianos já dão de barato perder território, entregando a Putin os dedos e mão. E oferecem a Trump e aos seus amigos oligarcas negócios de biliões de dólares ao ano. Em Gaza, o problema resolve-se com a retirada dos palestinianos locais para países amigos dos Estados Unidos, sob pena de estes perderem as chorudas ajudas financeiras. E já há plano para aquele território martirizado, resorts de luxo e projetos imobiliários como nunca visto naquela zona do globo, parindo assim um tampão, que defenda Israel e atire as gentes para a Jordânia e Egipto, libertando a área da ‘poluição humana’.

Para não falar do dossier Gronelândia, do dislate que impende sobre o Canadá e de outras tantas tiradas aviltantes de um homem sem vergonha, mas com poder, ofertado por uma massa eleitoral manipulada desde a sua última presidência, cuja embriaguez parece aprovar as suas medidas de rutura e retrocesso civilizacional.

A Europa, por sua vez, está numa encruzilhada, e sendo o farol da democracia e da liberdade, dos valores e da regulação internacional, deve reagir. E tem que reagir agora, reforçando a sua força económica – nem que seja retornando a um certo protecionismo – , o seu poder militar de defesa e ganhado uma autonomia face aos Estados Unidos de Donald Trump.

É uma tarefa árdua, mas necessária, quando este homem a soldo não parece ter nem termo nem medida para esta parte da sua agenda de minimizar a Europa, aproximando-se de Putin e de outros ditadores, desde que isso sirva os seus interesses, e mesmo que implique juntar-se a eixos-do-mal.

O problema é que a Europa fala a muitas vozes e ainda procura uma robustez política e estratégica que demora tempo. Ao passo acelerado no rearmamento, outros seguirse-ão, certamente, ao ponto de voltar para cima de mesa a federalização.

Estaremos preparados para isso?