Paula Santos manteve-se como cabeça de lista numa campanha em que a força política que une PCP e Os Verdes quer reconquistar o distrito e reforçar o número de cadeiras no parlamento.
Na luta para recuperar terreno num distrito que outrora disputou unanimemente com o Partido Socialista, a CDU voltou a apostar numa campanha onde o “prato forte” continuou a ser o contacto com os trabalhadores e as ações de rua pelos vários concelhos.
Sem nunca perder a confiança e os valores da coligação, a comitiva comunista não mediu esforços para mostrar ao que vinha para estas eleições e, logo na tarde do primeiro dia de campanha, no dia 4, levou Paulo Raimundo, secretário geral do PCP, à “Marcha do Trabalho” no Seixal. Ladeado por Paula Santos, que volta a ser aposta da coligação para o papel de cabeça de lista, o líder comunista liderou a caravana, colheu a simpatia da população e até cravos distribuiu, quando não resistiu a irromper pelo pátio de uma casa para dar esse símbolo da Liberdade a duas jovens que lhe acenaram de uma janela, assim que o viram. “É justo e necessário, o aumento do salário!” ou “Para cumprir Abril, somos muitos, muitos mil” gritava a marcha comunista, empunhando as bandeiras da coligação ‘pintadas’ de vermelho, branco, azul, verde e amarelo.
Desvalorizando o decréscimo de votos na CDU nas legislativas do ano passado, Paulo Raimundo abriu a campanha, no fim da marcha, com otimismo de que o eleitorado confia na sua força política. “Um voto na CDU é um voto contra as políticas de direita e um reforço na defesa das populações e dos trabalhadores na Assembleia da República. É por isso que dia 18 acredito que os eleitores vão fazer eleger a Paula Santos e também o Bruno Dias e a Heloísa Apolónia, que tanta falta fazem ao Parlamento”, defendeu na chegada ao comício preparado na Associação Humanitária dos Bombeiros Mistos do Seixal.
Aposta no Litoral Alentejano e na ecologia
Cientes da importância dos resultados deste círculo para a votação nacional, a coligação não tardou em repetir a presença do líder ao distrito, desta feita com um jantar comício em Sines que juntou dezenas de militantes do Litoral Alentejano, no início dessa semana, Aí, Paulo Raimundo criticou a aposta do PSD, PS, IL e Chega em “baixarem os impostos das empresas, já com lucros colossais” e “recusarem baixar os impostos de quem trabalha e das pequenas empresas”.
Esta semana, o partido trouxe também para a campanha a vertente mais ecológica e ambiental da coligação e deu protagonismo a Heloísa Apolónia, na terceira viagem de Paulo Raimundo ao distrito, neste caso à Lagoa de Albufeira, em Sesimbra. A dirigente dos Verdes, deputada até 2019, chamou à atenção para a intervenção estrutural que tardou em chegar àquela área e apontou a “desresponsabilização do Ministério do Ambiente”, para dar resposta a problemas ambientais.
Forte mobilização na arruada em Almada
Depois de várias ações junto de trabalhadores e de encontros com reformados, na antecâmara do fim da campanha – que passaria ainda por Seixal, Montijo, Barreiro e Setúbal -, Almada foi palco de uma grande mobilização que encheu as ruas desde a Praça S. João Batista à Praça MFA. “A CDU avança! Com toda a confiança!”, gritavam os militantes da coligação na curta marcha, liderada por Paula Santos, Heloísa Apolónia e outros apoiantes, que à frente seguravam uma faixa com “Abril é Futuro – Almada”.
Já na Praça MFA, junto às esplanadas dos cafés, o espaço foi pequeno para tantos militantes que quase se acotovelavam para ouvir os discursos no palco improvisado. Já com Paulo Raimundo presente, recebido com aplausos, Paula Santos criticou o estado do Serviço Nacional de Saúde no distrito, aludindo aos constantes encerramentos das diversas urgências de obstetrícia e genecologia; a situação nos transportes, com os problemas relatados na Fertagus e nas ligações fluviais a Lisboa e, ainda, “o abandono do Alfeite”.
Paulo Raimundo, enérgico no discurso, reforçou aquilo que a sua cabeça de lista defendeu, manifestou o desagrado pelo encerramento de serviços públicos e a pouca oferta de habitação e apelou “à confiança” na CDU. O líder comunista voltou a vincar o objetivo de eleger três deputados. A colher grande popularidade entre os militantes, não partiu para outras paragens sem tirar várias fotografias, distribuir beijos, apertos de mão e abraços apertados. “Vamos vencer”, disse-lhe um reformado.



