Movimento na Costa de Caparica contesta extensão do Metro Sul do Tejo

Mais de mil residentes e comerciantes da Costa de Caparica e Trafaria assinaram uma petição a contestar a extensão do Metro Sul do Tejo, considerando que degradará o ambiente da zona e representará um elevado custo para os contribuintes.

Este é um movimento de mais de 1.100 moradores e comerciantes, que subscreveram uma petição a expressar a “profunda preocupação e oposição ao traçado previsto para a expansão do Metropolitano de Superfície entre a Costa da Caparica e a Trafaria” e a exigir que seja formalmente abandonado.

“Queremos que haja um projeto que garanta melhor mobilidade sem desvirtuar a génese da cidade, quer relativamente ao urbanismo quer no que respeita à questão ecológica”, disse à agência Lusa Raquel Lobo, do movimento “Caparica com Cidadania”.

O movimento enviou uma carta a várias entidades, como o Presidente da República, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República, a Provedoria de Justiça, o Tribunal de Contas, o Supremo Tribunal de Justiça, a Câmara Municipal de Almada e partidos políticos, entre outras, para que se pronunciem sobre a petição no prazo de 30 dias úteis.

Em 10 de fevereiro, o Governo, a Câmara Municipal de Almada e a Faculdade de Ciências e Tecnologia fizeram uma apresentação do projeto “O Metro vai chegar à Costa da Caparica e à Trafaria”.

O traçado em estudo para o Metro Sul do Tejo terá uma extensão de 7,16 quilómetros e incluirá 10 estações: Pêra, Várzea de Pêra (com ligação ao Funchalinho), Centro da Costa da Caparica, Parque Urbano da Costa da Caparica, Santo António, São João, São Pedro, Madame Faber/Matas Nacionais, Bombeiros Voluntários da Trafaria e Estação Fluvial da Trafaria.

Em julho de 2024, o ministro das Infraestruturas disse esperar que as obras para a extensão do Metro Sul do Tejo à Costa da Caparica e à Trafaria pudesse arrancar dentro de cinco a sete anos.

Os signatários da petição consideram que, do ponto de vista custo-benefício, não faz sentido investir num metropolitano numa cidade piscatória/balnear como a Costa da Caparica, com cerca de 14 mil habitantes.

Um metropolitano, advoga o movimento “Caparica com Cidadania”, é, por definição, um transporte eficiente utilizado em metrópoles.

Considera o movimento que um dos principais problemas de um metropolitano de superfície é o seu elevado custo de construção e manutenção, que poderão não ser compensados pelo volume de passageiros transportados.

“Este fator levanta dúvidas sobre a viabilidade económica do projeto na Costa da Caparica, especialmente quando existem alternativas mais acessíveis e flexíveis, como o reforço da rede de autocarros e a criação de corredores dedicados para transportes públicos”, defende o Caparica com Cidadania.

Por outro lado, este movimento de moradores e comerciantes advoga que o período de construção iria causar transtornos consideráveis, impactando negativamente a economia da cidade durante anos.

Na petição, defendem ainda que obras prolongadas iriam afastar turistas e comprometer o acesso às praias, que são a principal fonte de receita para muitos negócios na região e que a construção de um metropolitano de superfície teria um impacto significativo no ambiente e na paisagem da Costa da Caparica.

Ao invés de um metropolitano de superfície, o movimento advoga que existem outras soluções que poderiam melhorar a mobilidade na Costa da Caparica de forma mais eficiente e com menor impacto, apontando como exemplo o reforço da oferta de autocarros a gás natural ou hidrogénio e a implementação de comboios sobre rodas (metrobus).

Os signatários da petição defendem ainda que o investimento na Costa da Caparica e na Trafaria seja canalizado para o que consideram ser as reais prioridades destas freguesias, nomeadamente, a proteção e recuperação da orla costeira, a segurança das pessoas e do património edificado, os serviços públicos essenciais e a potencialização de projetos de turísticos.

Às entidades responsáveis solicitam que considerem estas preocupações com responsabilidade, bom senso e visão estratégica, salvaguardando o futuro da Costa da Caparica e da Trafaria enquanto património natural, social e turístico e que os representantes dos signatários sejam incluídos nos processos participativos, estudos e decisões futuras sobre a mobilidade da região.