‘Birras’ de médicos com prejuízo para os doentes

Independentemente das razões que assistem à contenda que envolve médicos e gestão hospitalar no Hospital do Outão, integrado na Unidade Local de Saúde da Arrábida, a par do Hospital de São Bernardo, há uma situação que salta à vista.

Um clínico especialista, experiente e altamente capacitado para o exercício das suas funções, reformou-se e propôs às suas cúpulas continuar no SNS, através de um serviço de consultas descentralizadas, cujos resultados levaram à redução, quase para metade, das respetivas listas de espera.

Na altura, a iniciativa foi apoiada pela administração hospitalar e pela direção clínica, mas agora estagnou. Não teve continuidade porque, alegadamente, o chefe de serviço deixou de querer o serviço — e muito menos que fosse este médico a conduzi-lo. Porquê? Porque não se dão bem.

O resultado desta birra insana e preocupante é que algo que estava a correr muito bem vai voltar a correr muito mal. E, com este andamento, algumas centenas de doentes vão continuar à espera de vaga nessa espécie de “roleta russa” que é conseguir uma consulta num período de tempo aceitável, sem se perder o norte.

Este incidente parece ser real e demonstra o que podia ser feito para resolver, ou pelo menos atenuar, alguns dos nós górdios do SNS. A juntar a isto, há os casos recentes de abusos, tramóias e burlas perpetradas por médicos em diversos locais do país. Prescrevem-se, em barda, medicamentos para doenças que não existem, operam-se pacientes fictícios e cometem-se tantos outros atropelos à boa conduta ética e profissional.

A conclusão é que também os médicos têm culpas no cartório. E, neste caso, esperamos nós, as consultas descentralizadas, realizadas por clínicos aposentados que queiram dedicar um último esforço ao serviço do SNS, devem continuar. São uma boa medida para melhorar o fl agelo das listas de espera, nomeadamente na nossa região.