Terá sido no semmais da primeira semana de Novembro de 2014 que pudemos ler que “a actividade frenética capitalista girando em volta dos poderosos da Alemanha e da França, salvo distracção e algum desenvolvimento nos Estados Unidos por iniciativa institucional de Obama, relegou para plano subalterno o fait divers daquela meia-dúzia de mega-milionários que, com Warren Buffett no comando, pretendeu sacrificar-se publicamente à taxação das suas fortunas, propagandeando-a de peito aberto”.
O assunto centrava-se com rigor no facto deste norte-americano, em 2008/2009, disputar com Bill Gattes a sorte de serem os homens mais ricos do Mundo, começando ambos, desafio do primeiro, a “recrutar bilionários para que firmassem o compromisso de dar ao menos” (que tal?: “ao menos”…) “metade dos seus patrimónios para caridade, seja durante a vida, seja em seus testamentos” (WIKIPÉDIA).
Um pouco à maneira dos casamentos de que tão bem fala Álvaro Cunhal no “Rumo à Vitória”, de 1964, entre grandes industriais, banqueiros e latifundiários a quem o fascismo serviu, e salvaguardando as distâncias, o exibicionismo resplandecente dos Buffett era para este Relatório ao VI Congresso do PCP (“As tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional”) que nos conduzia: incendiar com um fósforo uma nota de vinte escudos para procurar e recuperar uma de mil perdida por incúria na escuridão noctívera com que a luta de classes começava a assustar os exploradores em nada afectava o lucro crescente da exploração do homem pelo homem. Numa esplanada atabernada de Baixa de Setúbal no início deste mês um simples freguês foi saudado pelo acompanhantes por lançar o repto de saber-se quem sabia “qual a nota quem tem duas cidades?”, e só ele saber: “Faro e Guarda”. Buffett E Companhia, nem a propósito: sabes como procurar cheirando e enriquecendo, cada vez mais, sem nunca deixar de meter ao bolso. Salvaguarde-se as distâncias, aceitais?
Valdemar Santos – militante do PCP



