Renovação da frota avança devagar e sem garantias de substituir atempadamente os comboios que fazem serviço há 27 anos.
“Têm razão, mas…” . Esta foi a principal conclusão retirada pela Comissão de Utentes dos Transportes da Margem Sul (CUTMS) que reuniu com a administração da Fertagus para reivindicar mais e melhores transportes ferroviários mas que, no entender dos seus responsáveis, saiu com as reclamações reconhecidas e sem qualquer indicação de quando poderão ver as pretensões satisfeitas.
“Decorrido um ano da reunião com o gabinete da Secretaria de Estado da Mobilidade, saímos desta reunião sem respostas concretas”, afirma a responsável da CUTMS, Aurora Almeida, salientando que “reconhece-se o problema, mas não há um comprometimento com a segurança, o conforto ou a dignidade dos utentes. A concessão, no caos em que se encontra, não serve os interesses de quem trabalha e vive na Margem Sul”, adianta.
A responsável da comissão diz também que a Fertagus não está a acautelar atempadamente a substituição do material circulante, uma vez que apenas terão sido adquiridos recentemente duas carruagens à Renfe (Espanha), que irão circular em 2026 e 2027 e que o prazo para a chegada de novos comboios é de seis anos.
Aurora Almeida considera que a frota da transportadora está “estagnada há 27 anos” e que das atuais 18 unidades, 17 estão a trabalhar continuamente, sendo previsível que se deteriore acentuadamente o seu estado no decurso dos próximos anos: “A Fertagus reconhece que deveria ser iniciado rapidamente o processo de aquisição de novos comboios, mas também diz que esse não é um assunto da sua competência”.
Lembrando que o prolongamento da circulação dos comboios até Setúbal levou a um aumento considerável do número de passageiros, a responsável da CUMTS afirma que existe agora uma sobrelotação frequente e dificuldades acrescidas para os passageiros, sobretudo os de mobilidade reduzida ou que transportem carros de bebé.
“A verdade é que tanto o Governo como a Fertagus reconhecem a sobrelotação e a degradação do serviço prestado aos passageiros, mas nada fazem para reverter a situação”, afirmou a mesma responsável.






