“Formar e integrar para aproximartalento e indústria desde o primeiro dia”

Joao Carlos Costa Diretor geral da ATEC Academia de Formacao

Ao longo de quase uma década, a Feira de Emprego da ATEC tem-se afirmado como um ponto de encontro direto entre formação e indústria. Para João Carlos Costa, o objetivo é claro: reduzir a distância entre o que se aprende e o que o mercado realmente precisa. Com quase uma centena de empresas presentes, a edição deste ano reforçou essa missão, ao mesmo tempo que evidenciou os desafios da formação profissional em Portugal.

Quais foram os principais objetivos desta edição?

A ATEC organiza esta feira há nove anos, em Palmela, sendo esta a 9.ª edição. A iniciativa nasceu da necessidade de aproximar, de forma direta e eficaz, o mundo da formação ao tecido empresarial. O principal objetivo é criar um espaço privilegiado de contacto entre os nossos formandos e as empresas, promovendo oportunidades de estágio curricular e, naturalmente, de integração no mercado de trabalho.

Que tipo de oportunidades foram oferecidas aos visitantes?

Embora aberta ao público em geral, a iniciativa destina-se sobretudo aos nossos formandos, dos três turnos de formação. Trata-se de uma oportunidade para estabelecer contacto direto com recrutadores e conhecer melhor as necessidades e tendências do mercado. Os formandos procuram, essencialmente, empresas onde possam realizar os seus estágios curriculares, enquanto os finalistas estão mais focados na integração profissional.

Que empresas ou setores estiveram mais representados este ano?

Contámos com a presença de 97 empresas, maioritariamente dos setores industrial, manutenção, automação e tecnologias. Esta representação reflete as áreas de formação da ATEC e, ao mesmo tempo, as atuais necessidades do mercado.

Quer destacar as novidades em relação a edições anteriores?

Este ano apostámos em workshops e jornadas técnicas. Convidámos várias empresas a apresentar tecnologias e produtos inovadores, alinhados com a nossa oferta formativa. Paralelamente, dinamizamos sessões dedicadas à preparação dos finalistas para a procura ativa de emprego e para o prosseguimento de estudos.

De que forma esta feira responde às necessidades atuais do mercado de trabalho?

Responde de forma muito concreta, ao alinhar a oferta formativa com as necessidades reais das empresas. Ao promover o contacto direto entre talento qualificado e empregadores, contribuímos para reduzir o desfasamento entre formação e empregabilidade, num contexto em que a qualificação técnica é cada vez mais valorizada.

Que perfil de candidatos procuram as empresas participantes?

As empresas procuram sobretudo perfis técnicos qualificados, com competências práticas, capacidade de adaptação e vontade de aprender. Valorizam também competências transversais como trabalho em equipa, responsabilidade e proatividade.

Antevê impactos substantivos desta operação de formação?

Esperamos aumentar as oportunidades de inserção profissional dos nossos formandos e reforçar a ligação contínua entre a ATEC e o tecido empresarial. Esta proximidade permite ajustar a formação às necessidades reais da indústria.

Existem metas concretas?

Mais do que metas rígidas, o foco está em potenciar o maior número possível de contactos relevantes entre empresas e candidatos. O nosso objetivo não é tanto o número imediato de contratações, mas sim a integração profissional futura dos jovens que confiaram a sua formação à ATEC.

O mercado de trabalho está hoje mais exigente ou mais aberto a perfis em reconversão?

Está mais exigente, mas também mais aberto. Por um lado, procura competências técnicas sólidas e atualizadas; por outro, mostra uma crescente abertura a perfis em reconversão, desde que acompanhados por formação prática e orientada para as necessidades reais das empresas, precisamente o modelo que a ATEC promove.

Mudando de assunto, como avalia o último ano da ATEC?

Foi um ano muito positivo, que consolidou o papel da ATEC como referência na formação profissional em Portugal. Introduzimos novos cursos de especialização tecnológica, como Mecatrónica Automóvel para Veículos Elétricos e Híbridos e Automação, Robótica e Manutenção Industrial. Outro marco relevante foi o reconhecimento da ATEC como Escola Profissional pelo Ministério da Educação, o que nos permite alargar a nossa oferta a cursos profissionais.

Que conquistas destacaria?

A principal é a elevada taxa de empregabilidade dos nossos formandos, que se mantém acima dos 90% nas diferentes modalidades de formação.

Que feedback recebem das empresas e dos formandos?

A procura crescente por formandos da ATEC para estágios é um dos melhores indicadores da satisfação das empresas. A participação cada vez maior na Feira de Emprego reforça essa tendência. Do lado dos formandos, os níveis de empregabilidade e o elevado número de candidatos mostram a confiança no nosso trabalho. Este ano, por exemplo, recebemos cerca de 800 visitantes no Dia Aberto.

A ATEC tem conseguido acompanhar a evolução tecnológica?

É um esforço contínuo, mas estamos confiantes de que conseguimos acompanhar e, em alguns casos, antecipar essa evolução. Investimos na qualificação dos formadores, participamos no desenvolvimento de novos percursos formativos e, através de projetos europeus, identificamos competências emergentes e novas metodologias pedagógicas.

Quais são os maiores desafios?

Um dos principais desafios é o investimento na renovação tecnológica de equipamentos pedagógicos, numa altura em que os apoios têm sido insuficientes. Para o ultrapassar, contamos com a colaboração de empresas e com projetos europeus. Outro desafio significativo é o financiamento dos Cursos de Aprendizagem, cujo valor não é atualizado desde 2014. Isso obrigou-nos a reduzir o número de turmas, apesar da elevada procura por parte dos jovens e das empresas. A isto junta-se a indefinição de políticas públicas. Ainda não temos confirmação sobre a abertura de novas turmas em 2026, apesar de existirem candidatos que cumprem todos os requisitos.

Como estão a adaptar a oferta formativa às mudanças tecnológicas?

Temos vindo a reforçar continuamente a atualização dos conteúdos, em estreita articulação com as empresas. Apostamos numa abordagem prática e flexível, que permite integrar rapidamente novas tecnologias. Exemplo disso é a introdução de cursos na área dos veículos elétricos e a criação de um laboratório dedicado à gestão e controlo de energia.

A transição digital e energética está a ser acompanhada?

Sem dúvida. Criámos recentemente uma nova área de formação em energias sustentáveis, com cursos focados na gestão de energia, refrigeração e climatização, entre outras áreas críticas.

Que papel vê para a ATEC no futuro?

Queremos ser uma referência no desenvolvimento de pessoas e organizações. Vamos continuar a antecipar necessidades do mercado e a reforçar o nosso papel na qualificação de talento, na reconversão profissional e na valorização das carreiras técnicas.