Utentes exigem reabertura da urgência pediátrica do Garcia de Orta

As Comissões de Utentes da Saúde de Almada e do Seixal concentraram-se esta quarta-feira à porta do Ministério da Saúde, em Lisboa, para exigir a reabertura da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, inicialmente prevista para o início de 2020.

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“A saúde é um direito, sem ele nada feito” e “Pediatria no Garcia faz falta noite e dia” gritaram dezenas de utentes à frente do Ministério, pouco antes de aprovarem por “unanimidade e aclamação” um manifesto entregue ao gabinete da ministra da Saúde, Marta Temido.

Desde novembro que a urgência pediátrica deste hospital, em Almada, tem encerrado diariamente no período noturno, entre as 20h00 e as 08h00, devido à falta de especialistas para assegurar a escala. No entanto, a falta de pediatras já afeta o hospital há mais de um ano, quando saíram 13 profissionais.

Aos jornalistas, a porta-voz da Comissão de Utentes da Saúde de Almada, Luísa Ramos, disse que “o Ministério da Saúde e o Governo são os responsáveis por não se responder ao problema”. “Não podemos ficar à espera da burocracia. A senhora ministra e o Governo são responsáveis por não se resolver o problema e andamos nesta questão, que era provisória. Receamos que se torne definitiva”, disse Luísa Ramos.

A porta-voz expressou ainda que as comissões de utentes ficaram “muito preocupadas com as discrepâncias entre as declarações” de Marta Temido e do presidente do conselho de administração do Hospital Garcia de Orta, nomeadamente quando a ministra disse que, “talvez em março”, as urgências noturnas seriam reabertas, enquanto a administração hospitalar apontava como “irrealista essa abertura” no prazo previsto.

Uma fonte oficial do Ministério da Saúde adiantou, após a entrega do manifesto pelos utentes, que “vai fazer novo ponto de situação em reunião até final deste mês, salientando que ainda está a decorrer o procedimento concursal para cinco vagas na pediatria.”

Já José Lourenço, da Comissão de Utentes do Seixal, lembrou que a alternativa encontrada com o alargamento do horário nas duas unidades de saúde em Almada e no Seixal “nunca é uma verdadeira alternativa porque não é feita por especialistas em pediatria”. “Está tudo ao molho, tudo junto”, alegou, adiantando “haver um esforço enorme sobre os profissionais do agrupamento dos centros de saúde de Almada e Seixal”, com listas de utentes de 1800 a 2000 por cada médico de família e sobrecarregados com alargamento do horário e o atendimento complementar ao fim de semana”.

Presente no protesto esteve também o presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, que tem vindo a defender a urgência da reabertura das urgências pediátricas, afirmando que, apesar de num primeiro momento ter acreditado na ministra da Saúde, agora considera haver “falta de vontade política”. “Não se consegue compreender como uma ministra de Estado no século XXI não tem condições para reabrir umas urgências pediátricas noturnas onde faltam entre 5 a 7 pediatras”, afirmou.