A reunião entre António Costa e seis presidentes de câmaras deixa abertas as portas do diálogo, mas não desbloqueia impasse. O Governo não desiste da obra na BA6.
A construção do aeroporto complementar de Lisboa no Montijo está presa pelo compromisso assumido pelo Governo com a ANA, empresa que faz a gestão do espaço aéreo nacional e que conta com capitais privados.
Esta foi a mensagem deixada hoje pelo presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos, após uma reunião com o primeiro ministro António Costa. O autarca, em declarações à imprensa, disse que quase todas as entidades envolvidas no processo (câmaras municipais da margem Sul do Tejo e Governo) estão convictas que a escolha de Alcochete (Campo de Tiro da Força Aérea) para construir o aeroporto complementar é a melhor solução. No entanto, salientou, “o que está em causa é o interesse da ANA, que tem um acionista privado”.
António Costa reuniu com os presidentes das câmaras municipais de Alcochete, Barreiro, Lisboa, Moita, Montijo e Seixal para perceber quais os municípios que são favoráveis à obra nas instalações da atual Base Aérea número 6 (BA6), no Montijo, e os que se opõem a essa localização, quais os argumentos que apresentam e em que circunstâncias poderão alterar a sua decisão.
No final, o primeiro ministro frisou que não está em discussão a localização do aeroporto, mas a procura de soluções para mitigar eventuais problemas ambientais para algumas das populações.
Com um empate entre os autarcas (Lisboa, Montijo e Barreiro são favoráveis e Alcochete, Moita e Seixal são contra), o primeiro ministro terá agora de encontrar uma solução legal que permita alterar a lei segundo a qual uma só câmara municipal envolvida poderá chumbar o projeto caso considere prejudicial o estudo de impacto ambiental realizado. Neste caso as câmaras da Moita e Seixal anunciaram que não estão dispostas a validar o empreendimento no Montijo.
António Costa deverá voltar a reunir com os presidentes das câmaras municipais da Moita, no dia 16, e do Seixal, no dia 17.
Concelhias do PS, PSD e CDS do Seixal aprovam Montijo
No mesmo dia em que o primeiro ministro recebeu seis autarcas de concelhos diretamente envolvidos pela construção do aeroporto, os presidentes das comissões concelhias do PS, PSD e CDS do Seixal assinaram um comunicado conjunto na qual defendem a construção da estrutura no Montijo.
No documento assinado por Marco Teles Fernandes (PS), Bruno Vasconcelos (PSD) e Marlene Abrantes (CDS), os líderes concelhios lembram a necessidade de se fazer uma obra que já vem sendo reclamada há cerca de 60 anos e salientam que todos os atrasos verificados implicam “perdas significativas para a economia”. “Só no setor do turismo o impacto estimado é de perda de receitas no valor de 600 milhões de euros”, dizem.
Os três dirigentes políticos falam na necessidade de concretizar o projeto com toda a urgência, lembrando que o mesmo não é apenas do interesse local, mas nacional. Dizem ainda que a hipótese de construir no atual Campo de Tiro de Alcochete não é viável devido à incapacidade de se efetuar a obra em tempo útil e, também, por questões financeiras.






