Chefes da Guarda Prisional descontentes com Governo

A libertação dos presos do distrito de Setúbal só deverá ficar concluída no final da semana. Não há casos de Covid-19 nas cadeias.

A Associação Nacional de Chefias do Corpo da Guarda Prisional (ANCCGP) criticou hoje o Governo por este não ter feito qualquer menção aos profissionais que trabalham nas cadeias devido ao seu desempenho em todo o processo que está a ser efetuado para a libertação de cerca de 2700 reclusos, os quais beneficiam de medidas excecionais face à pandemia de Covid-19.

Numa nota distribuída à imprensa, o presidente da ANCCGP, Hermínio Barradas, diz que até ao momento ainda não existe um só caso de contaminação de Covid-19 entre a população prisional das 49 cadeias portuguesas. Em declarações recentes ao Semmais Digital, o dirigente sindical lembrou que os presídios são locais potencialmente perigosos e que a disseminação da pandemia no meio prisional poderia ter resultados catastróficos.

Até ao momento, tanto quanto foi possível apurar, apenas dois guardas terão manifestado sintomas da doença, sendo de imediato colocados em quarentena. Entre a população reclusa existiu um caso cuja contaminação ocorreu fora do sistema prisional. Tratou-se de uma mulher brasileira que traficava droga entre Espanha e Portugal, tendo sido detida pela GNR próximo da fronteira do Caia, Elvas. Esta mulher terá sido internada no Hospital Prisional São João de Deus, em Caxias, tendo sido declarada curada na passada semana, depois do segundo teste de despistagem negativo.

Hermínio Barradas explicou já hoje que os guardas prisionais têm vindo a ultrapassar inúmeras dificuldades no processo que prevê a libertação de um conjunto de reclusos que, não tendo cometido crimes de maior gravidade, estão condenados a penas até dois anos ou que estejam apenas a esse período do final da sentença. “Há muito trabalho a fazer e que parece ser totalmente descartado. Há muitos presos que não têm para onde ir. Uns são doentes, outros amputados, outros não têm família. São os guardas prisionais, a qualquer hora, que os transportam e entregam nos hospitais e instituições. Esse trabalho, para o qual ninguém estava preparado nas condições ideais, deveria ser minimamente valorizado, o que até agora não aconteceu”.

Das três cadeias pertencentes ao distrito de Setúbal (Setúbal, Montijo e Pinheiro da Cruz) deverão ser libertados mais de duas dezenas de reclusos. O processo, de acordo com o que o Semmais Digital apurou, não deverá ficar concluído antes do final da semana.