Reforçada bolsa para atenuar danos a artistas e companhias do Alentejo

A bolsa criada para comprar espetáculos e atenuar danos causados pela Covid-19 a artistas e companhias sem apoios do Alentejo aumentou para 27 mil euros e o prazo para apresentação de propostas foi alargado até final deste mês.

O valor da Bolsa para Artistas e Criadores do Alentejo foi reforçado em 12 mil euros e subiu dos 15 mil euros iniciais para 27 mil euros, disse hoje à Lusa António Revez, diretor artístico e ator da Companhia de Teatro Lendias d’Encantar, de Beja, a promotora da iniciativa.

Segundo o responsável, o valor inicial de 15 mil euros, disponibilizado pela Lendias d’Encantar, foi reforçado com 12 mil euros resultantes de duas verbas atribuídas pela Companhia Alentejana de Dança Contemporânea (CADAC), de Beja, e pela Direção Regional de Cultura do Alentejo (DRCA).

Após o reforço da bolsa, as três entidades prolongaram até dia 30 deste mês o prazo, que tinha terminado no passado dia 15, para artistas independentes e companhias do Alentejo que não são financiadas pela Direção-Geral das Artes ou apoiadas por outras entidades poderem candidatar propostas de espetáculos nas áreas de teatro, música e dança para serem comprados através da bolsa.

Terminado o prazo para apresentação de propostas, a Lendias d’Encantar, a CADAC e a DRCA vão selecionar os espetáculos a comprar e a pagar logo na íntegra aos respetivos artistas e companhias, disse, referindo que “a intenção” é haver “equidade territorial” na seleção para “abranger toda a região Alentejo”.

Segundo António Revez, a Lendias d’Encantar criou a bolsa para comprar espetáculos e “atenuar danos” causados pela Covid-19 a artistas independentes e companhias sem apoios do Alentejo.

“A intenção é minimizar os impactos financeiros (da covid-19) junto daqueles que, vendo-se impossibilitados de trabalhar, possam, ainda assim, auferir algum rendimento com a venda antecipada dos seus projetos artísticos”, explicou.

Atualmente, os profissionais das artes, como atores, músicos, dançarinos, cenógrafos, técnicos e produtores, sobretudo os trabalhadores independentes, estão a ser “severamente ‘castigados’ com o encerramento forçado de todas as salas do país e o cancelamento de espetáculos”, frisou.

Por isso, a Lendias d’Encantar criou a bolsa para “contribuir para atenuar as consequências negativas da situação, comprando antecipadamente espetáculos e permitindo a artistas independentes e companhias “auferirem desde já de algum rendimento”.

Até ao passado dia 15, a Lendias d’Encantar recebeu “cerca de 40 propostas” de espetáculos nas áreas de música, dança e teatro para serem comprados através da bolsa.

Com o valor inicial da bolsa, “teríamos de deixar muitos artistas e criadores do Alentejo de fora”, mas o reforço “é um balão de oxigénio” para o processo, disse António Revez.

No entanto, frisou, mesmo com o reforço, “será difícil contratualizar todas as propostas artísticas recebidas e a receber”.