Adega de Palmela comemora 65 anos com investimentos e novos vinhos de topo

A maturidade da Adega Cooperativa de Palmela, que em setembro cumpriu 65 anos, abre largas expetativas para o futuro. Novas marcas de média e alta gama, carteira de investimentos ‘non stop’ e muita vontade de crescer mais fora de portas fazem parte do projeto atual.

O aniversário foi comemorado com o lançamento de cinco novos vinhos, num ano atípico em que a adega perspetivava um crescimento de 15%, mas que a pandemia dissipou. “No primeiro semestre do ano crescemos 5% em valor e 35% em quantidade”, diz Ângelo Machado, presidente do CA da Adega Cooperativa de Palmela ao Semmais. Um crescimento que dava sinais de que 2020 poderia ser muito bom, em linha com os resultados de 2019, ano que atingiu vendas de cinco milhões de unidades de vários formatos, com um volume de negócio a rondar os sete milhões de euros.

No ano passado, verificou-se uma mudança de hábitos do consumidor que opta pelos vinhos da adega, explica o responsável. “Sentimos que existiu uma transferência de compra da bag-in-box para a garrafa 75cl, onde tivemos um crescimento de 19% em quantidade. Curiosamente o nosso vinho mais vendido é um branco, o Vale dos Barris Branco monocasta Moscatel, do qual vendemos, em 2019, perto de meio milhão de garrafas”.

O mercado nacional é o maior foco de escoamento, sendo que a exportação começa agora a ganhar mais terreno. “Atualmente exportamos 7% da produção sendo que nos próximos anos existem expectativas para que este percentual seja maior. Trabalhamos de forma consolidada países como França, Brasil, Rússia, China e Suécia. No entanto, sentíamos que as gamas/marcas dos nossos vinhos se tornavam curtas e muito limitativas para o crescimento pretendido”.

A aposta em novas referências como as lançadas recentemente podem fazer com que a empresa dê o salto para uma exportação mais ativa. Das novas ofertas fazem parte os vinhos colocados no mercado para assinalar o aniversário, como o Adega de Palmela e Vale dos Barris Reserva Premium, Vale de Touros, Vinhas Velhas Reserva e Adega de Palmela Grande Reserva, que poderão ser mais apetecíveis para o cliente internacional e consolidar a ambição de aumentar as exportações.

Uma ambição que se alarga ao mercado nacional, em especial às vendas na área da restauração onde a marca ainda não tem tanta expressividade. “Cerca de 70% da nossa produção vai para a grande distribuição, onde também fazemos marcas próprias e exclusivas, para além das nossas marcas principais, chamadas de marcas de fornecedor. No canal Horeca juntamos o Villa Palma que é exclusiva deste canal aos vinhos da grande distribuição, mas parte da estratégia de crescimento para os próximos anos passa por fomentar vendas na restauração. Sentimos que neste canal ainda há um longo caminho a fazer, apesar de já estarmos a trabalhar nesse sentido”, explica Ângelo Machado.

 

CAIXA

Investimentos na modernização e nova linha logística

Os últimos investimentos levados a cabo, na ordem dos 300 mil euros, centraram-se quase em exclusivo em novas máquinas para aumentar a linha de produção, nomeadamente com a robotização dos processos. “A nossa aposta na robotização vem fazer face à crescente falta de mão de obra qualificada na região. Também temos como objetivo aumentar a capacidade de produção com a qualidade que nos é exigida.” O próximo passo é investir no armazenamento “de maneira a garantir um stock mínimo de segurança de todas as nossas marcas”.

 

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Vinhos novos são vinhos com história

Os novos néctares são uma afirmação da adega, que assegura que “as cooperativas são iguais às outras empresas que operam no mercado dos vinhos e de que não ficam nada atrás, nem em qualidade, nem em tecnologia”, defende o dirigente, adiantando que “o lançamento dos novos vinhos foi a forma que a adega se predispôs a mostrar ao mercado que também produz e sabe fazer vinhos de excelente qualidade. Sentimos também que está a existir a tendência para um consumo mais equilibrado. O consumidor gosta de se envolver com a história por detrás de um vinho, e nós já temos algumas para contar”. E nesse piscar de olho ao consumidor, a empresa inovou em várias linhas. “Os mais recentes rótulos contêm simbologias com o intuito de facilitar a leitura do contra-rótulo, as castas, harmonizações, temperatura correta para consumo, grau do vinho (e estágio de barrica) e foi colocado um QR Code que direciona o cliente para o nosso site, bem como o nome do Enólogo Luís Silva que desenhou o perfil destes vinhos de uma forma excecional”.