União das IPSS de Évora diz que Surtos em lares do Alentejo são reflexo da comunidade

O elevado número de surtos ativos de Covid-19 em lares de terceira idade no Alentejo é um reflexo dos níveis de infeção na comunidade, disse ontem o presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social de Évora.

Em declarações à agência Lusa, Tiago Abalroado salientou a “dificuldade do sistema” para responder a todas as solicitações, no momento, mas estabeleceu uma correlação entre os casos existentes na comunidade e os surtos ativos em lares da região.

“Em meios onde não existe grande preponderância de casos, também as instituições dessas localidades não têm casos identificados. Agora, nos meios onde há maior propagação, há quase uma correlação ente os casos da comunidade com os das respetivas instituições”, disse o presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) de Évora.

Segundo o dirigente, a pandemia “atingiu uma situação muito preocupante” no Alentejo, onde se torna quase impossível evitar a entrada do novo coronavírus nos lares, apesar de todas as instituições terem “tomado todas as medidas preventivas”.

“Estamos a falar de instituições que têm as visitas suspensas, mas estão abertas ao exterior por via dos colaboradores. Portanto, havendo grande intensidade viral e surtos nas comunidades com uma forte propagação, dificilmente se consegue evitar a entrada nos lares, sobretudo quando falamos de instituições que são os maiores empregadores dos concelhos”, analisou.

A capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde é outro fator que, segundo Tiago Abalroado, se reflete nos números diários, uma vez que “apesar da mobilização, não é possível chegar a todo o lado”.

“Todos temos a noção de que a própria resposta da autoridade de saúde e dos serviços públicos já não é suficiente. Ainda que exista muito boa vontade dos vários profissionais, dos vários parceiros sociais, a capacidade instalada já foi ultrapassada e não conseguimos agir nos ‘timings’ que noutras ocasiões se conseguiu atuar”, lamentou.

Apesar de não ter dados que lhe permitam afirmar que o Alentejo é, atualmente, a região mais afetada do país pelo novo coronavírus, o presidente da União das IPSS de Évora disse não ter dúvidas de que “está muito afetada”.

“Está com uma taxa de propagação praticamente generalizada em todos os concelhos e vejo também que é um fator de muita preocupação, sobretudo nesta fase em que já todos ansiávamos pelas vacinas, quando tudo indicava uma luz ao fundo do túnel, nós aqui sentimos com maior intensidade o efeito da pandemia”, afirmou.

Relativamente à campanha de vacinação, Tiago Abalroado mostrou-se expectante para “ver se é possível” cumprir a meta apontada pela ministra da Saúde, Marta Temido, de ter todos os utentes de lares vacinados no início de março, até pelo “número de estruturas (residenciais para idosos) que neste momento estão afetadas”.

“Temos informação de que todas as instituições já foram contactadas para enviar as listagens de colaboradores e utentes a vacinar e de que a grande maioria já as enviou ao Ministério da Saúde. No entanto, agora, caberá às estruturas de saúde definir o calendário (de vacinação)”, informou.