No concelho estão identificadas mais de 2.000 pessoas com elevadas carências alimentares. Programa camarário de distribuição de comida é aprovado e começa na segunda-feira.
A Câmara Municipal de Almada vai aprovar, na segunda-feira, uma proposta em que se compromete a doar alimentos a uma parte da população do concelho abrangida pelo Programa Operacional Alimentar de Apoio a Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), que está referenciada pela Segurança Social, organismo que, nos últimos tempos, não tem conseguido satisfazer os compromissos.
Em declarações ao Semmais, a presidente da autarquia confirmou que o programa de apoio aos mais carenciados do concelho deve começar já na segunda-feira, altura em que os serviços municipais devem aprovar a estratégia de auxílio. “Decidimos avançar, porque entendemos que as necessidades alimentares da população não se compadecem com burocracias”, adiantou.
De acordo com Inês Medeiros, já há no seu território, assim como noutros, “filas e filas de pessoas à espera de alimentos”. “As filas têm aumentado exponencialmente e a câmara municipal resolveu criar um apoio extraordinário que irá abranger todos os que estejam identificados pela Segurança Social e que possam usufruir dos benefícios do programa. Foi nesse sentido que já foi montada uma linha especial para atender e ajudar as pessoas mais necessitadas”.
Número de pessoas carenciadas pode ser superior às estatísticas
No concelho de Almada o número de pessoas abrangidas pelo POAPMC ultrapassa as 2.000. Este é um número que, de acordo com alguns autarcas locais contactados pelo Semmais, até pode não corresponder, por defeito, à realidade. Os dados relativos ao desemprego têm vindo a aumentar em consequência da pandemia e existem aglomerados familiares inteiros que ficaram sem qualquer fonte de rendimento em virtude do encerramento de muitos estabelecimentos, nomeadamente de restauração e similares.
O POAPMC foi implementado em 2017. Trata-se de uma iniciativa conjunta dos ministérios do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, da Saúde e da Economia. A ideia passa por fornecer a cada pessoa inscrita 50 por cento das necessidades diárias energéticas e nutricionais.
Em 2019, o cabaz distribuído que anteriormente contemplava 18 produtos alimentares foi aumentado para 25, versão que ainda está em vigor. Incluem leite e queijo flamengo meio-gordo, ovos, arroz, massa, cereais para pequeno-almoço, tostas, bolachas (Maria), feijão, grão-de-bico, ervilhas, frango, pescada, atum, sardinhas e cavala (tudo em conserva), azeite, tomate em conserva, mistura de vegetais para sopa, brócolos, espinafres, feijão verde, alho francês, cenoura, creme vegetal e marmelada.






