Comunidade do Cercal recusa instalação de central fotovoltaica junto à povoação

População não quer empreendimento junto à povoação e sugere que se coloquem os painéis sobre a água, numa barragem. Câmara Municipal ainda não recebeu pedido de licenciamento.

A construção de uma central fotovoltaica e de uma linha de muita alta tensão junto ao Cercal do Alentejo, no concelho de Santiago do Cacém, está a ser contestada pela população local. Os habitantes pretendem que o projeto, à semelhança do que tem vindo a acontecer noutras zonas do país, contemple a instalação dos painéis solares sobre um espelho de água e não nas imediações da vila.

Numa sessão de esclarecimento realizada em frente à junta de freguesia e na qual compareceram técnicos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), os populares (que contestaram também o facto de só na véspera terem tomado conhecimento de uma consulta pública cujo prazo terminou no dia 10) colocaram diversas questões relacionadas com o projeto, nomeadamente as referentes às alternativas existentes e às contrapartidas que poderão ter no caso de a central vir a ser construída na área. Sem resposta efetiva, os técnicos da APA afirmaram que a construção desta central, assim como de outras previstas para o restante território nacional, é uma decisão do Ministério do Ambiente.

Pertencente à empresa privada alemã Cercal Power, SA, o projeto tem um investimento previsto de 158,2 milhões de euros e consistia inicialmente na instalação de cinco centrais fotovoltaicas em áreas adjacentes, as quais iriam partilhar uma linha elétrica de ligação à Rede Nacional de Transporte de Energia. Posteriormente decidiu-se relocalizar as cinco centrais num único local, decisão que se terá baseado em questões técnicas, económicas e ambientais. Foi então que foi escolhida uma área com cerca de 137 hectares a um quilómetro de Cercal do Alentejo.

 

Câmara diz que ainda não recebeu pedido de licenciamento

O prazo para construção da central, que se prevê possa incluir quase 554 mil painéis fotovoltaicos é de 12 meses.

Em declarações ao Semmais, o presidente da câmara de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha, esclareceu que, até ao momento, nenhum pedido de licenciamento deu entrada nos serviços camarários. “Temos consciência do que o projeto significa e aguardamos que os especialistas se pronunciem. Depois, caso seja feito o pedido de licenciamento, iremos pronunciar-nos de acordo com a lei”, disse.

Álvaro Beijinha salientou também que a edilidade, tal como os moradores do Cercal do Alentejo que contestam o projeto, entende que existem questões de caráter ambiental que terão de ser melhoradas, nomeadamente as que se referem à proximidade dos painéis solares em relação às habitações e, também, as de reflorestação da área, defendendo a criação de cortinas arbóreas. “De momento o que podemos salientar é que partilhamos as preocupações da população e que aguardamos que nos cheguem os pareceres dos peritos, neste caso dos técnicos da APA”, acrescentou.