Digitalização pode salvar milhares de empregos nas pequenas empresas

Representantes do comércio e dos serviços querem que o Estado distribua verbas do PRR pelos de setores de atividade. Sem informatização muitas empresas irão deixar de competir e falir. Na ACISTDS já se iniciou a formação.

Milhares de postos de trabalho e centenas de pequenas e microempresas podem estar em causa a curto e médio prazo no distrito de Setúbal e no país caso o Governo não disponibilize rapidamente as verbas necessários para por em marcha o projeto “Emprego Mais Digital”. O alerta é dado pelo vice-presidente da Confederação de Comércio e Serviços de Portugal (CCSP), que chama a atenção para a urgência da informatização destes locais de trabalho assim como da formação dos quadros.

“No distrito de Setúbal sabemos que as grandes empresas já estão a preparar-se tecnologicamente. Os maiores receios incidem sobre as pequenas e microempresas, que não possuem verbas para seguir o projeto, correndo o risco de serem irremediavelmente ultrapassadas pela concorrência, até porque há países onde o processo já se iniciou”, disse ao Semmais Francisco Carriço, que além de vice-presidente da CCSP, é também presidente da assembleia geral da Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo do Distrito de Setúbal (ACISTDS).

A coordenadora do departamento de formação profissional da ACISTDS, Isabel Martinho da Cruz, também falou ao nosso jornal, referindo que para além dos trabalhadores empregados existe também a preocupação de abranger os independentes. “Estamos a ser procurados por muita gente que tem os seus pequenos negócios”, referiu a responsável, adiantando que, para já, a associação tem um programa apenas destinado à península de Setúbal. “Este projeto de formação, que inicialmente estava previsto decorrer em 2021, poderá prolongar-se por 2022”, adiantou.

Para já, de acordo ainda com a mesma responsável estão a ser auxiliados os cerca de 3500 associados que a associação tem na região. “O aumento das competências digitais está a ser feito através de ações online e presencialmente. O que constatamos é que existe muita gente que ainda não domina os procedimentos mais básicos, sendo que este é fundamental para o processo de fusão das lojas físicas e digitais”, explicou Isabel Martinho da Cruz, salientando que a formação incide muito sobre a utilização do office, do marketing digital e da utilização correta, em termos comerciais, das redes sociais.

 

Muitas empresas não têm equipamento tecnológico

“O projeto ainda não está concluído. Foi pedido pelas empresas e confederações na sequência do que foi detetado durante o confinamento. Chegou-se à conclusão que existem milhares de empresas em todo o país e, naturalmente, também no distrito de Setúbal, que não estão apetrechadas com o equipamento tecnológico necessário. Essas mesmas empresas, devido à longa paragem, estão também descapitalizadas e sem qualquer possibilidade de obterem rapidamente, e pelos próprios meios, as verbas necessárias”, referiu por sua vez Francisco Carriço, evidenciando que a sobrevivência “passa por uma comparticipação muito grande do Estado”.

Francisco Carriço diz que no distrito o problema da sobrevivência empresarial passa por todos os setores de atividade, sendo que nas áreas do comércio e serviços a tendência é o surgimento, cada vez em maior número, de lojas virtuais. “O futuro passa pela existência das lojas físicas, onde as pessoas irão ‘provar’ os produtos, misturadas com virtuais, através das quais se irá aceder ao que se quer em primeiro lugar”, explica.

Sem que seja ainda possível quantificar o valor necessário ou, sequer, o total de beneficiários, o responsável da CCSP refere, no entanto, que é importante que as verbas comunitárias, disponibilizadas para o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) tenham uma distribuição adequada e correta. “Temos receio de que o dinheiro seja distribuído apenas por bancos e câmaras municipais e que sejam esquecidos os setores de atividade. Se tal acontecer muitas empresas serão ultrapassadas e terão de encerrar, deixando muitos milhares de pessoas no desemprego”.