Presidente da associação católica, que já arranjou teto para 35 pessoas, diz que com os apartamentos previstos será possível retirar das ruas a totalidade das pessoas em situação de carência identificadas.
A Cáritas Diocesana e o Instituto da Segurança Social assinaram na terça-feira, em Setúbal, um protocolo que visa conseguir apartamentos na cidade para que, em breve, ali possam ficar alojados 30 pessoas sem abrigo. Uma medida que a concretizar-se, segundo refere o presidente da instituição católica, retira das ruas a totalidade das pessoas da cidade que ainda não possuem teto.
“Depois de conseguirmos esses apartamentos – poderão residir várias pessoas em cada um -, e tendo em conta que já temos 35 pessoas a viver noutras casas que fomos conseguindo ao abrigo de programas diversos para ajudar os sem-abrigo, o problema em Setúbal ficará bastante atenuado”, disse ao Semmais o presidente da Cáritas Diocesana, Domingos Sousa.
O responsável da Cáritas referiu, no entanto, a necessidade de também a Câmara Municipal de Setúbal se envolver no processo que visa encontrar as casas. “Todas as pessoas sabem que estes projetos só são exequíveis se neles estiver envolvido o município. Nós, Cáritas Diocesana, não conseguimos fazer mais esforços do que aqueles que já desenvolvemos. Não temos essa capacidade financeira, apesar de não nos faltar disponibilidade para continuarmos a lutar pelos mais desfavorecidos. Ainda recentemente foi anunciado que os municípios de Setúbal e Almada vão promover a construção de, respetivamente, mais 98 e 100 apartamentos sociais”, disse.
Direcionando a conversa para o problema da pobreza e dos sem-abrigo em Setúbal, Domingos Sousa lembrou que, no caso dos segundos, a Cáritas até consegue que, no verão, alguns pernoitem nos espaços da Cáritas. “Abrimos o átrio das instalações em São Francisco Xavier, colocamos umas cadeiras e, a verdade é que muitos conseguem ali dormir em vez de ficarem espalhados pelo chão das ruas da cidade. Mas no inverno tudo é diferente. Não temos possibilidade de os acolher”, explicou.
Voltando à questão das 35 pessoas que atualmente dormem nos apartamentos conseguidos pela Cáritas, o diretor da instituição lembra que, “tão importante quanto conseguir um teto é criar condições para que as pessoas que para ali vão viver consigam encontrar soluções para retomarem uma atividade”. “Não queremos que as pessoas fiquem institucionalizadas eternamente, embora, infelizmente, saibamos que algumas nunca mais deixarão de depender de terceiros”.
Aumento de jovens desamparados gera preocupação
Domingos Sousa referiu ainda que a atual situação pandémica está na origem de um “enorme” agravamento das condições de vida de muitas pessoas, sendo que os jovens, que antes quase não surgiam entre os que buscavam auxílio, são agora um grupo em crescimento contínuo.
“Há muitos jovens que todas as semanas estão a procurar ajuda junto da Cáritas. São jovens que, muitas vezes, proveem de outras instituições e que, por diversos motivos, não adquiriram competências profissionais ou que, mesmo que as tenham adquirido, não conseguem integrar os mercados de trabalho. Há um ano só existiam um ou dois jovens nesta situação. Era um problema residual. Hoje é uma preocupação muito séria”, refere o responsável.
Fiel ao princípio de que ninguém pode ficar sem apoio, seja ao nível de alimentação, de vestuário ou de prestação de cuidados de saúde, a Cáritas Diocesana, através do seu presidente, lembra que diariamente serve nos dois refeitórios que possui em Setúbal (São Francisco Xavier e Nossa Senhora da Paz) “para cima de duas centenas de refeições”. “É um esforço financeiro muito grande. Para que as pessoas tenham uma ideia, lembro que entre junho de 2020 e julho de 2021, a diferença entre o que a instituição recebeu para os refeitórios sociais e as despesas efetuadas foi de mais de 10.000 euros. Esse dinheiro teve que ser ‘descoberto’ e pago pela Cáritas. Depois, também não podemos esquecer que apesar de algumas famílias terem acordado o pagamento de algumas importâncias para ajudar nas despesas, há muita gente que nunca consegue reunir essas mesmas quantias. Isso representa, mais uma vez, uma despesa extra para a instituição”.



