Governo declara “de imprescindível utilidade pública” ampliar zona industrial de Grândola

Ampliação começou a desenhar-se em 2018, representando um investimento superior a 2 milhões de euros. Autarquia grandolense recebe assim autorização do Estado para o abate de 199 sobreiros adultos numa área de 1,5 hectares.

O Governo declarou “de imprescindível utilidade pública” a 3.ª fase da ampliação da Zona Industrial Ligeira (ZIL) de Grândola, no distrito de Setúbal, permitindo o abate de 199 sobreiros adultos numa área de 1,5 hectares.

O despacho, publicado em Diário da República, foi assinado, no dia 7 deste mês, pelo ministro da Economia e do Mar, António Costa e Silva, e pelo secretário de Estado da Conservação da Natureza e das Florestas, João Catarino. O Governo dá resposta a um pedido de autorização solicitado pela Câmara Municipal de Grândola para proceder ao abate de 199 sobreiros adultos numa área de 1,51 hectares de povoamento daquela espécie, na Herdade das Fontainhas, na União das Freguesias de Grândola e Santa Margarida da Serra.

De acordo com o despacho, consultado pela agência Lusa, o Governo realça “o relevante interesse público, económico e social do empreendimento, bem como a sua sustentabilidade, uma vez que o alargamento desta infraestrutura é fundamental para o desenvolvimento do concelho”.

A ampliação da ZIL vai permitir “responder à crescente procura de lotes para instalação de novas empresas, criando dinâmicas diretas e indiretas a nível de crescimento empresarial local, da atração de novos investimentos e da criação de emprego, e permitindo a fixação de população”, lê-se no documento.

Na decisão, o executivo esclarece que o município “apresentou projeto de compensação e respetivo plano de gestão”, prevendo “arborizar com sobreiros” uma área de 1,89 hectares, numa parcela de terreno, de que é proprietária, na freguesia de Azinheira de Barros e São Mamede do Sadão.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da câmara, António Figueira Mendes, explicou que o projeto para a 3.ª fase de ampliação da ZIL, um investimento de 2,5 milhões de euros, teve “início em 2018” e revelou-se “muito demorado”. “Vai permitir alargar a ZIL com mais 25 lotes, mas, neste momento, já temos em lista de espera mais de 50 interessados, o que significa que vamos ter de continuar a alargar esta zona, porque temos muita procura para a localização de indústrias e temos de acompanhar essa procura”, frisou.

De acordo com o autarca, trata-se de “investidores das mais diversas áreas” e empresas “com alguma dimensão” que vão “dar resposta ao desenvolvimento que o concelho vai ter” nos próximos anos. “Estamos a falar de algumas indústrias ligadas à metalomecânica pesada, outras ligadas às novas tecnologias e também à produção de equipamento hospitalar”, exemplificou.

Para o autarca, a “centralidade” do concelho de Grândola, as “infraestruturas de acesso”, assim como a proximidade “aos portos de Sines e de Setúbal, à zona de Lisboa e à região do Algarve têm influência na procura por parte de empresas de fora”. O início das obras da 3.ª fase da ZIL está previsto “para o início de outubro” deste ano e o prazo de execução será de “cerca de um ano”, concluiu.