NATO assenta em Troia e Sesimbra para experiência robótica

As duas zonas costeiras da região foram palco do maior exercício da NATO de sistemas robotizados. Um grande avanço para o desenvolvimento de novas tecnologias para servir o ramo militar, mas também a sociedade civil.

A armada da NATO concentrou durante dez dias, no Centro de Experimentação Operacional da Marinha, em Troia e Sesimbra, o maior exercício de sempre dedicado à experimentação robótica e de veículos não-tripulados.

A missão, que arrancou no dia 12 deste mês e termina hoje, teve como nome de código “RE- PMUS22”, e juntou cientistas, investigadores e empresas oriundos de duas dezenas de países da Aliança Atlântica. “Este é o maior exercício da NATO de sistemas robotizados, e o maior exercício do género a nível mundial”, assinala o Almirante Gouveia e Melo, Chefe do Estado Maior da Armada, ao Semmais.

Nos mares da nossa costa, os militares puderam testar as performances dos novos e sofisticados equipamentos, que apresentam, segundo a Marinha Portuguesa, “um alto nível de inovação”. Gouveia e Melo explica, nesse sentido, “a importância vital” do processo que está em desenvolvimento. “Criámos um ecossistema que permite desenvolver novas tecnologias, puxar pelas empresas para a conceção de produtos mais sofisticados e ganhar alguma primazia no mercado, quer em soluções interessantes e inovadoras, quer no quadro de tarefas que obrigavam a recrutar mais recursos humanos e tinham mais peso financeiro”, esclarece o Almirante.

Para o Chefe do Estado Maior da Armada estes elementos já são uma realidade nos ramos bélico e civil, com grande margem de expansão. O Almirante, não tem dúvidas de que estas tecnologias são “bastante úteis” às amplas funções que a Marinha tem, tanto para fins militares como não militares, como por exemplo, “funções de vigilância, patrulha e fiscalização”.

Um largo espectro de utilização militar e civil

As utilizações em diversos cenários das novas máquinas não tripuladas apresentam um largo espectro, desde logo em missões de busca e salvamento, no combate “à guerra de minas” e em apoio a operações dos Fuzileiros. Está também previsto o uso dos designados UAV – Unmanned Aerial Vehicles para missões anfíbias (do mar para a terra), como tomada de pontos de interesse junto a praias, bem como treinos de combate à imigração ilegal, via rotas marítimas.

Segundo as fontes do Semmais, o uso destas tecnologias é também particularmente importante para o ramo da investigação e ciência. “Com estes recursos podemos monitorizar a temperatura do mar, o comportamento das águas oceânicas, os níveis de atividade piscícola, os sedimentos. Uma série de ele- mentos que nos permitem conhecer o ambiente marítimo como um todo”, refere Gouveia e Melo.

Nestes campos mais científicos destaca-se um meio de superfície não tripulado (Unman- ned Surface Vehicle) da marinha inglesa, com apoio da congénere portuguesa, que faz testes para a recolha de dados oceanográficos, que permitem o levantamento batimétrico dos oceanos bem como para a pesquisa do fundo dos mares.

Os bons sinais desta “missão” levam o Almirante Gouveia e Melo a considerar que o nosso país está a evoluir rapidamente, e que no campo tecnológico estamos ao nível dos países mais avançados”. Ainda assim, o Chefe de Estado Maior da Armada lembra que “é preciso industrializar mais o processo, de modo a que estas evoluções tecnológicas aumentem a ca- deia de valor das nossas em- presas”. E finaliza: “O que nos falta fazer é esta transposição da ciência e da experimentação para a indústria e para a cadeia de valor das empresas, puxan- do pela economia”.