ADREPES assinala duas décadas de apoio, investimento e desenvolvimento do território

Responsáveis e associados fazem balanço positivo do trabalho da associação.  Estima-se que tenham sido fixados na região 40 milhões de euros de investimento e criados cerca de 500 postos de trabalho diretos.  

A Associação para o Desenvolvimento Rural da Península de Setúbal (ADREPES) promoveu, quarta-feira, uma sessão comemorativa do 20º aniversário. Na cerimónia, realizada na Biblioteca Municipal de Palmela, estiveram presentes, além dos membros da direção e da restante equipa, associados, empresários e também vereadores das câmaras de Palmela, Sesimbra, Montijo e Moita.

Em conversa com o nosso jornal, Joaquim Carapeto, presidente da ADREPES, fez um balanço positivo da ação nas últimas duas décadas. “Quando começamos era improvável pensar que uma associação de desenvolvimento local, num território periurbano, próximo de Lisboa, ainda por cima numa altura do 3º quadro comunitário, quando estava a haver ajustamentos a nível territorial com a junção de grupos de ação local, nascer uma nova entidade com estas características”, sublinhou o responsável.

Joaquim Carapeto destacou o trabalho desenvolvido em diversas frentes, com a ajuda da “massa crítica dos associados”, oriundo de variadas áreas de atividade: “Temos conseguido trabalhar as questões da ruralidade com a necessária ligação a toda a componente urbana, contribuindo para o atual conceito da cidade das duas margens. E somos, neste momento, a única associação a ter três GAL: Grupo de Ação Local Rural, Grupo de Ação Local Costeiro e o Grupo de Ação Local Urbano”.

O presidente da associação sublinhou ainda o largo investimento no território, ao longo destas duas últimas décadas. “Fixamos no território 40 milhões de euros”, referiu, explicando que a comparticipação do mesmo andará em torno dos “50% a 40%”. “Temos quase cerca de 600 projetos apoiados e perto de 500 postos de trabalho criados diretamente”, reforçou.

Leonor Freitas, CEO da Casa Ermelinda Freitas e conceituada empresária da nossa região, deixou rasgados elogios ao trabalho desenvolvido pela ADREPES. “A ADREPES é a instituição na região que conhece muito bem as necessidades dos produtores, que vai ao encontro, de facto, daquilo que é o desenvolvimento rural e que consegue aproveitar e conjugar os recursos. Conhece, de facto, o seu território”, disse ao Semmais.

A empresária classificou ainda a “ação de proximidade” da associação como “decisiva”. “Melhor do que ninguém, a ADREPES pode aprovar e adequar, e até mesmo ensinar candidaturas, por exemplo, dos pequenos produtores. É de facto uma instituição muito próxima, que conhece muito bem a sua região e os seus produtores. A verba que dão pode parecer pequena, mas às vezes faz toda a diferença”, destacou.

Futuro inspira grandes desafios e dúvidas

Questionado sobre o futuro, Joaquim Carapeto alertou para algumas dúvidas que urgem ser respondidas, na perspetiva da associação. “A DLBC Rural, por exemplo, ainda está, neste momento, a ser desenhada, portanto vamos ter novos atores a entrar no jogo. A DLBC não vai estar num programa operacional dentro do quadro comunitário, vai ser dirigida diretamente pelo Ministério da Agricultura, a CCDR também vai ter competência. A nível do mar, pelas contas que fizemos, há 15 GAL para o Mar 2030. O dinheiro disponível pensamos que pode dar uma média de dois milhões para cada território. Há um grande desafio, uma grande incógnita ainda”, sublinhou o presidente da Associação.

As várias preocupações latentes sobre o futuro é uma narrativa reforçada por Natália Henriques, diretora executiva da ADREPES, quando instigada a falar sobre a ação da associação e futuros investimentos na região. “Ainda não sabemos bem com que linhas no cosemos, ou seja, com que orçamento vamos contar, a que medidas concretas é que podemos concorrer. Por exemplo, no âmbito do DLBC Rural e FEADER ainda não sabemos que medidas vão ser aplicadas aqui na península de Setúbal. Temos de perceber como é que tudo isto vai funcionar, quais são as nossas competências e em que medida é que vamos continuar a aplicar os fundos. Ainda é tudo uma grande incógnita”, reforçou a responsável.

Natália Henriques recordou ainda as alterações nas NUT que, nos últimos quadros comunitários, retirou à região “capacidade de captação de fundos e percentagens de financiamento”, esperando-se que se efetive o regresso da região de Setúbal, enquanto NUT, deixando de estar abrangida na área de Lisboa, no que toca à avaliação e captação de investimento.