Anda por aí a ideia de que a Argentina de Milei, o novo guru dos liberais em Portugal, tem operado milagres económicos, nomeadamente reduzindo drasticamente a sufocante inflação daquele país da América do Sul.
Ora, isso parece ser verdade, mas os custos das políticas deste lunático ultra-liberal para a maioria da população argentina são impressionantes.
Milei, que tem governado o seu país como um monarca, ultrapassando mesmo as leis constitucionais, atingiu esta façanha, promovendo a contração dos gastos, com cortes em benefícios sociais e paralisou o investimento público. Isso, de facto, resultou em superavits mensais. Mas tanto o FMI como o Banco Mundial falam numa recessão de quase quatro pontos, contraindo a economia.
Mais grave, as políticas do ‘salvador’, que se intitulou de ‘libertário’ durante a campanha que o guindou à cadeira do poder, exacerbaram a pobreza, que aumentou onze por cento desde lidera o país, o maior salto em vinte anos.
Os números dão bem conta deste desastre social, com sete em cada dez crianças argentinas em situação de pobreza, e mais de metade da população – 53% segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censo – não consegue satisfazer as suas necessidades básicas. Em 2023 rondava os 40%.
Milei insiste que as suas políticas vão dar resultado, e até pode concretizar essa agenda económica, mas sobretudo à conta do povo argentino que tem somado desilusões atrás de desilusões, num experimentalismo político que soma desaires.
Ficam ainda medidas ‘liberais’ que adornam o cardápio deste pequeno ditador, que insulta deficientes e usa e abusa de mensagens homofóbicas, como a alteração da idade para uso de armas, dos 21 para os 18 anos de idade.
Se esta Argentina é um modelo a seguir, mal vai o liberalismo do primeiro-mundo, que não consegue empreender desafi os, nem apresentar modelos, nem ruturas sociais e económicas, sem privilegiar uns tantos e desferir golpes profundos na vida dos mais vulneráveis.



