A Política para os Políticos

Em 3 de maio de 2021, aceitei um convite que me foi endereçado pela coordenação da Iniciativa Liberal (IL) para ser o cabeça de lista à Câmara Municipal de Setúbal.

Este pedido foi motivado pela necessidade da IL, uma vez que era a primeira vez que concorria a Setúbal de apresentar um candidato que não só residisse em Setúbal, mas que também tivesse laços sólidos com a cidade, uma pessoa cuja experiência e percurso de vida fossem reconhecidos por muitos setubalenses.

O convite, que me honrou profundamente, não foi uma decisão tomada de ânimo leve, mas sim uma resposta a uma chamada que acreditava ser a altura certa para me envolver no serviço público e contribuir com a minha humilde maneira de estar para a minha comunidade.

A campanha eleitoral foi um desafio empolgante e galvanizante. O contacto com os cidadãos, as suas preocupações e aspirações, a vitalidade das suas vozes e a paixão pela cidade eram contagiantes. Ao longo desse processo, não só aprendi sobre a política local, mas também sobre a importância da responsabilidade e da transparência nos serviços públicos.

Tive a oportunidade de partilhar as minhas visões para uma Setúbal melhor, centradas no desenvolvimento sustentável, na promoção da cultura e na valorização do património.

Era ponto fundamental para mim que a sociedade sentisse que a política poderia ser feita com honestidade, empenho e dedicação.

Após as eleições, um grande momento de gratificação e reconhecimento chegou quando a IL conseguiu, ao concorrer pela primeira vez, eleger um deputado municipal, o Flávio Lança.

Este resultado significou uma verdadeira vitória para todos nós. Considerando que a política muitas vezes é um mundo competitivo e desafiador, ver a IL a fazer uma entrada tão significativa numa cidade tão de esquerda foi para todos nós um motivo de grande orgulho.

O Flávio, com o seu trabalho árduo e dedicados esforços, com a ajuda de uma boa equipa d retaguarda não só justificou a confiança depositada nele, como também conquistou o respeito dos seus opositores. A capacidade de dialogar e construir pontes com outros partidos e representantes é um atributo que considero essencial na política, e o Flávio soube interpretá-lo na perfeição.

Com a aproximação de novas eleições autárquicas, comecei a refletir sobre o meu papel e o tempo que dediquei à IL. Acredito que a política deve ser um espaço dinâmico, em constante renovação, onde novas vozes e ideias possam emergir.

Depois de ter trabalhado com afinco para estabelecer a IL em Setúbal e de, juntamente com o Flávio, ter contribuído para a consolidação da nossa presença no cenário político local, cheguei à conclusão de que o meu ciclo estava a chegar ao fim. A IL durante estes quatro anos já tinha dado passos significativos em direção ao reconhecimento de todos os Setubalenses e Azeitonenses, e considero que a hora de deixar o caminho livre para as novas gerações chegou.

A política a meu ver deve ser vista como um legado em constante transformação. Cada primeiro degrau que subimos deve permitir que outros subam mais alto. Assim, decido afastar-me da linha da frente, deixando a continuidade nas mãos dos mais novos, que, tenho a certeza, trarão frescura, inovação e uma nova visão para Setúbal.

O meu compromisso com esta cidade não termina aqui; continuará na medida em que me sentir parte activa da comunidade, mesmo que fora das lides políticas. Acredito que a política não é apenas um cargo ou uma posição, mas uma forma de servir e contribuir para o bem comum.

Por último, gostaria de expressar a minha gratidão a todos os setubalenses que me apoiaram e acreditaram no nosso projeto da I.L. De coração cheio, deixo a política aos que estão prontos para abraçar o novo desafio e, como eu, sonhar com um futuro melhor para Setúbal.

O meu grande desejo é que a Iniciativa Liberal mantenha a sua trajetória de crescimento e sucesso, contribuindo para uma cidade mais justa, inclusiva e próspera. O desafio continua, e tenho a certeza de que aqueles que irão assumir a responsabilidade o farão com entusiasmo e determinação.

A política é, efetivamente, para os políticos, mas também é sobre o povo e para o povo. E a vida pública deve estar sempre ao serviço de todos nós.

Carlos Cardoso – Gestor