Começarei por falar da importância que reside em manter todo aquele ambiente solidário e fraternal que foi a génese das primeiras manifestações associativas, as Confrarias e Associações de Mesteres que, no decorrer dos tempos, se veio a tornar mais coeso e enraizado, em especial a partir do acelerado desenvolvimento industrial, que adveio o aparecimento de uma nova classe social, o operariado que vê no associativismo a maneira de suprimir carências de uma vida precária.
Embora no tempo presente a riqueza ambiental e o valioso património da nossa cultura popular, fizeram destes orgãos de utilidade pública, verdadeiras universidades do povo fazendo ressuscitar no seu seio, a concórdia e a solidariedade e não a divisão e a indiferença, onde tantas vezes por interesses adversos aos ideais do colectivismo, surgem graves brechas, que ainda hoje se encontram bem lactentes, mas que urge meditar e corrigir sem complexos as atitudes, pois nunca é tarde para se reconhecer e emendar erros cometidos em momentos menos sensatos.
Com toda a naturalidade, deve ser dito que a pretensa falta de jovens nas colectividades é sempre evidenciada como uma manifestação de desconforto perante os associados mais velhos, e como tal mais experientes.
Contudo, é bom que se diga que esses associativistas, quando jovens tiveram como pilares para a sua intervenção nas colectividades a mestria e a experiência na maneira de dar volta a um regime totalitário, que via nessas universidades populares focos de agitação social e de uma emancipação ideológica perversa.
O tempo agora é outro, fruto de cinquenta anos de Democracia e de Liberdade, o movimento associativo rejuvenesceu e aumentou a sua sustentação na própria comunidade.
Assim é uma realidade, a defesa intransigente dos valores, da dignidade e da solidariedade, cujo objectivo assenta no trabalho solidário, voluntário e benévolo.
Nessa esteira de milhares de dirigentes e associados, as associações populares são parte integrante do nosso desenvolvimento intelectual nas vertentes desportivas, artísticas e sociais.
Urge explicar as inúmeras dificuldades que as colectividades se deparam – face ao alheamento dos poderes instituídos – e aos critérios de avaliação para as colmatar, torna-se necessário dar bases aos novos dirigentes e os meios necessários de modo a não aumentar o fosso e salvar este valioso património popular sem fi ns lucrativos.
Artur Vaz
Escritor



