Na próxima semana deveremos conhecer todos os candidatos a deputados na tradicional azáfama partidária que antecede as campanhas eleitorais para as eleições legislativas. É o normal.
O processo, pelo menos nas forças partidárias mais convencionais, é muito simples: Ouvem-se as bases, reunidas sob o chapéu das concelhias; as distritais exercem o poder de fecho e de apresentação das listas e as cúpulas nacionais ratificam. Misturamse deputados com provas dadas, militantes e dirigentes sempre dispostos ao trabalho e muito poucas novidades.
No caso do Círculo Eleitoral de Setúbal todo este esforço na escolha de nomes é feito na bolha partidária e, por regra, centrado nos aparelhos. Há felizmente várias exceções. Mas os desconhecidos e impreparados podem, facilmente figurar, engrossando as hostes, porque o que verdadeiramente interessa (talvez seja) é o cabeça de lista e uma ou outra figura dita nacional que surge, normalmente de paraquedas aos olhos dos eleitores da região, mesmo não tendo qualquer ligação ao território, ás suas gentes e realidades.
Na verdade é o que temos. Os eleitores optam pela sigla, pela proximidade partidária ou política, mesmo sabendo que estão a eleger os seus representantes diretos.
Infelizmente, passam décadas e o sistema partidário, onde assenta, e bem, a nossa democracia representativa, continua afastado dos ciclos uninominais, onde cada candidato a deputado valeria por si e não se apresentaria neste esconde-esconde anacrónico.
E depois é o que sabe, findam as legislaturas e quase nenhum dos eleitos presta conta aos seus eleitores diretos, nem se responsabiliza pelo alegado trabalho ou falta dele na Assembleia da República. É muito pouco.
Por outro lado, nesta relação de bolha e de interesses militantes, fica de fora a oportunidade de os partidos puderem recrutar fora das suas hostes, entre figuras e independentes que sem filiação têm créditos de trabalho e de competência nos territórios onde exercem as suas atividade profissionais, sociais e académicas.
Com este repetido cenário, sem que os partidos arrisquem fora de portas, perde a casa da democracia e perdem as regiões, porque menoriza a qualidade dos recursos políticos que deviam servir para elevar a fasquia da discussão política e da defesa da causa pública.
Esta, para além de muitas outras que não vêm ao caso neste texto, concorrem, na verdade, para o triste espetáculo que temos vindo a assistir, de legislatura para legislatura, com deputados sem perfil e inaptos para a nobre função parlamentar, que pouco servem os interesses dos seus eleitores e do circulo eleitoral pelo qual são eleitos.



