Só em Troia, uma das 14 áreas do distrito analisadas, é que o desperdício decresceu face a 2022. Ainda assim a zona turística é aquela onde, de longe, se registam mais prejuízos. Grândola e Barreiro são os concelhos onde as perdas são menores.
As perdas de água de águas nas redes de abastecimento público nos concelhos do distrito de Setúbal estão na origem de perdas anuais de muitos milhares de euros. Os dados da ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos, dizem que em 2023, último ano em que foram compilados os dados, todos os municípios registaram agravamentos face a 2022. A exceção foram os elementos colhidos pela Infortróia, empresa que faz serviço numa zona específica do concelho de Grândola. Aqui, houve um ligeiro decréscimo, ainda assim muito insuficiente para que a zona deixasse de ser aquela onde se verificam maiores prejuizos.
Analisando os dados disponibilizados ao Semmais pela ERSAR, constatamos que no total das 14 entidades existiram perdas diárias por cada um dos ramais calculadas em 4.033 litros. Esta é uma quantidade muito superior à verificada um ano antes, quando as perdas de água atingiram a média diária de 3.304 litros (cerca de 1.206 milhões de litros/ano).
A ERSAR, questionada sobre os motivos que levam à existência de perdas de água tão significativas, diz que os mesmos podem ser diversos. “O principal poderá ser o maior ou menor uso de água nos sistemas de abastecimento, que leva respetivamente a um maior ou menor valor de perdas reais de água, medida em litros diários em proporção do número de ramais”.
Ainda de acordo com os especialistas da entidade reguladora, “em Portugal continental o volume de perdas reais é o que mais contribui para o desempenho insatisfatório da água não faturada, tendo em 2023 representado 75 por cento do total”.
O mapa estatístico da ERSAR diz que em 2023 a Infratróia contabilizou 1.209 litros de água perdida diariamente, um valor que triplica o segundo caso mais grave, registado pelos SMAS de Almada, com 402 litros desperdiçados diariamente. No plano oposto, com os mais baixos valores de água perdida, encontram-se Grândola (86 litros/dia) e Barreiro (129 litros/dia).
“O volume de perdas reais traduz-se em gastos desnecessários que as entidades gestoras em baixa têm de suportar com a compra de água às entidades gestoras em alta (ou, no caso das entidades gestoras verticalizadas, com a captação e tratamento de água para consumo humano) e que, por sua vez, são repercutidos nas tarifas cobradas ao utilizador final. As perdas totais reais representam em 2023 cerca de 170 milhões de metros cúbicos (no país). O potencial de poupança económica pela redução das perdas, considerando apenas os custos com a aquisição de água às entidades gestoras em alta e que seria eliminado em 80 por cento do volume de perdas, totalizou em 2023 cerca de 70 milhões de euros, a que acrescem os benefícios ambientais e de boa gestão dos recursos hídricos”, referem ainda os responsáveis da ERSAR.
Água perdida diariamente em cada concelho
Os valores indicados na primeira coluna referem-se ao ano de 2023 enquanto que os que se encontram entre parênteses se referem a 2022.
Alcácer do Sal – 191 (9) Alcochete – 164 (124) Barreiro – 129 (90) Grândola – 86 (60) Moita – 248 (238) Palmela – 154 (50) Santiago Cacém – 167 (159) Seixal – 300 (256) Sesimbra – 252 (208) Sines – 282 (251) INFRATRÓIA – 1.209 (1.231) SMAS Almada – 402 (324) SMAS Montijo – 195 (153) Águas do Sado/SM Setúbal – 302 241)






