A câmara de Setúbal pretende criar ligações marítimas às praias da Arrábida, com tarifas equivalentes às do passe Navegante a partir de 2027, como alternativa aos constrangimentos rodoviários deste ano, revelou na sexta-feira a vice-presidente do município, Maria do Carmo Tiago.
“É um projeto para desenvolver para o próximo ano”, afirmou à agência Lusa Maria do Carmo Tiago, acrescentando que a autarquia já iniciou contactos com operadores privados que manifestaram disponibilidade para assegurar o serviço.
Segundo a autarca, a câmara de Setúbal está a desenvolver o projeto de transporte marítimo para as praias da Arrábida com o objetivo de reduzir a pressão automóvel nos acessos rodoviários e garantir uma alternativa sustentável aos banhistas.
O município, acrescentou Maria do Carmo Tiago, pretende que o serviço opere com “preços idênticos aos dos transportes públicos abrangidos pelo passe Navegante”, embora a concretização dessa solução dependa ainda de articulação com outras entidades, designadamente com a Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML).
A proposta surge na sequência dos problemas provocados pelas tempestades que atingiram o concelho nos primeiros meses do ano e que agravaram a instabilidade das arribas, obrigando ao condicionamento da circulação automóvel em diversos troços da estrada da Arrábida, por razões de segurança.
Maria do Carmo Tiago explicou ainda que a implementação do transporte marítimo exigirá a construção de infraestruturas de apoio à atracação e desembarque de passageiros junto das praias, razão pela qual a solução não poderá avançar já nesta época balnear.
A vice-presidente da câmara de Setúbal revelou ainda que entre as intervenções mais urgentes está a reparação do talude que abateu junto aos acessos à Praia de Albarquel, obra que terá um custo de cerca de 6,9 milhões de euros, segundo a última estimativa do município.
Para a câmara de Setúbal é também necessária a resolução do problema de um maciço rochoso com cerca de duas mil toneladas que estará em risco de derrocada, entre as praias da Figueirinha e de Galapos.
Para tentar dar resposta a estes problemas, a câmara de Setúbal já apresentou ao Governo e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) uma estimativa global de cerca de 50 milhões de euros para a recuperação dos estragos provocados pelas intempéries de janeiro e fevereiro em todo o concelho.
“Esse montante inclui intervenções na Arrábida, nomeadamente na zona do maciço rochoso e das arribas entre Albarquel e a Figueirinha, mas também obras de reparação e estabilização noutras áreas afetadas do concelho, incluindo freguesias da zona de Azeitão”, explanou Maria do Carmo Tiago.
A câmara de Setúbal espera recorrer a financiamento público para suportar os investimentos, no âmbito das linhas de apoio criadas pelo Governo para fazer face aos prejuízos causados pelos fenómenos meteorológicos extremos registados no início do ano.





