Aliança Democrática ambiciona mudar a cor rosa da região

Em 2024 não conseguiram a maioria dos votos em nenhum concelho do distrito de Setúbal. Este ano, a AD acredita que vai sentar mais deputados no Parlamento.

Sorridentes e de bandeiras levantadas, os membros da caravana da AD começaram a campanha num território rosa e tradicionalmente de esquerda. O Seixal foi o ponto de partida da comitiva que, liderada pela cabeça de lista, Teresa Morais, foi distribuindo panfletos e apelando ao voto numa corrida que acreditam conseguir chegar ao primeiro lugar do pódio.

Talvez por isso, logo no quarto de dia, o presidente do PSD e recandidato a primeiro ministro apareceu num dos espaços mais icónicos da capital de distrito – o Mercado do Livramento. Montenegro desdobrou-se em cumprimentos aos comerciantes, sorriu de orelha a orelha e, até, recebeu a oferta de duas laranjas de uma vendedora que afirmou que “uma é por ter ganho o ano passado e a outra para dar sorte para este ano”. Mas nem tudo foram favas contadas para o primeiro ministro que, no périplo pelo mercado, também ouviu muitas criticas de reformados e se deparou com populares que lhe viraram as costas.

Saiu do território rosa de sorriso no rosto, mas não voltou e deixou o resto da campanha nas mãos de Teresa Morais que, já em Almada, foi traçando o percurso em função do movimento nas ruas e dos estabelecimentos comerciais.

Num café a comitiva ouviu as queixas do proprietário que disse não ir votar e, de imediato, a cabeça de lista oferece-lhe uma caneta com as siglas do partido, numa tentativa de o convencer a mudar de opinião. A falta de recetividade estende-se também à Cova da Piedade, onde se escutaram críticas mais acesas como “são todos iguais, votar na AD para quê?”. Os candidatos não desarmaram e garantiram que as medidas que irão ser implementadas, caso a confiança dos portugueses seja renovada, serão para “todos, todos, todos”, como diz um dos slogans da campanha.

Arruadas, fotografias e muitas promessas

Apesar dos percalços, a arruada de Almada a Cacilhas pintou de laranja algumas das principais avenidas. Algumas pessoas pararam para tirar fotografias à caravana que descia a rua acompanhada de música, ouviram-se buzinadelas de apoio à coligação e distribuiram-se abraços.

Na passagem pelo concelho de Palmela, um dos pontos altos foi a visita ao Mercado Mensal. Já no Montijo os membros da comitiva ofereceram flores, flyers e uma mão cheia de promessas às pessoas com quem se iam cruzando.

Em Setúbal, entre música, animação e um olhar atento sobre a população abriu-se espaço para ouvir as preocupações da Associação de Armadores de Pesca do Centro e Sul e visitar o “Cabaz do Peixe”.

Na vila de Sesimbra o cenário pareceu convidar um dos elementos da caravana a mudar a agenda, mas o resultado foi apenas a verbalização do bom humor. “Se pudesse ia à praia”, “o candidato que prometer aquecer as águas de Sesimbra, ganha as eleições no dia a seguir”, gritou. No entanto, no interior de um café o clima arrefeceu, com uma senhora a elevar o tom para expressar desagrado e declarar o voto noutro partido. Sem abertura para respostas, seguem caminho até à Cotovia onde a receção voltou a aquecer.

A mensagem desta campanha foi simples: recuperar a confiança dos portugueses. Com a esperança de mudar a cor do distrito, as ações decorrem até esta sexta-feira nos concelhos do Barreiro e da Moita.