Chega aponta à vitória para interromper domínio socialista no distrito

Partido de André Ventura volta a apostar em Rita Matias e não alterou os primeiros cinco da lista. Embalado pelos últimos resultados, aponta à vitória.

Depois do resultado histórico nas legislativas de 2024, onde conseguiu ser o segundo partido mais votado no distrito e eleger quatro deputados, o Chega aponta voos mais altos num território que tem sido dominado pelo PS.

A comitiva do Chega, com pouco mais de uma dezena de membros e invariavelmente liderada por Nuno Gabriel, terceiro da lista e presidente da distrital, passou por Setúbal, Moita, Montijo Seixal e Almada, onde as bandeiras do partido esvoaçaram e a cara de André Ventura esteve sempre presente na lona do stand montado nos pontos de contacto direto com os eleitores. “O objetivo é muito claro, queremos vencer o distrito. Achamos que é possível ficar à frente do PS. No ano passado elegemos quatro, mas queremos eleger muitos”, aponta Nuno Gabriel, aludindo à aspiração de tornar André Ventura primeiro ministro.

Antes da entrada em cena de Rita Matias, cabeça de lista por Setúbal, que esteve sempre com a caravana nacional, o acontecimento mais badalado no distrito ocorreu nos primeiros dias no Barreiro. Quando alguns militantes, facilmente identificáveis pelos bonés, t-shirts e bandeiras, se preparavam junto ao Fórum Barreiro para promoveram a candidatura nas ruas, foram abordados por elementos da comunidade cigana em protesto contra a presença do partido e as frases que Ventura e os seus pares lhes dirigem. “Fora já daqui! O Barreiro não é vosso. Os ciganos estão a chegar! Ponham-se daqui para fora!” disse um dos homens mais exaltados. Os militantes foram surpreendidos, mas responderam:“Vão trabalhar, façam alguma coisa de útil”. A resposta a comunidade gritou: “Racistas, fascistas”.

A reclamar espaço no eleitorado do distrito e nacional para governar o país, “uma oportunidade para quebrar os 50 anos de PS e PSD”, o Chega assegura estar atento e ter bem identificadas as suas principais bandeiras. “A mobilidade neste território está péssima e a insegurança é crescente. Faz-me confusão como é que o RASI indica que a criminalidade desceu. Temos de investir nas forças de segurança e acabar com as portagens nas pontes. Também precisamos de solucionar a questão de saúde, o hospital do Seixal precisa de avançar, o Garcia de Orta, em Almada, já não consegue dar resposta”, disse Nuno Gabriel, revelando algumas das propostas do partido.

Na reta final da campanha, Rita Matias surgiu em Sesimbra a manifestar confiança num resultado positivo. “O sentimento de vitória está patente em cada pessoa que nos aborda. As pessoas dizem que desta vez é para vencer”, defendeu.

Mesmo com André Ventura retirado da campanha, por questões de saúde, o Chega conseguiu mobilizar-se e esteve na última manhã de campanha no Mercado do Livramento, em Setúbal. Sobressaíram figuras como Rita Matias, cabeça de lista por este círculo, mas também líderes nacionais como Pedro Pinto, Pedro Frazão e Marta Martins da Silva. No fim, uma surpresa, André Ventura, através de videochamada saudou os seus apoiantes.