Sempre que passo ou aterro em Sines acentuo a minha admiração pelo trabalho portuária e pela importâncias destas plataformas que são mesmo a mola aglutinadora do desenvolvimento da região. Também Setúbal, como é óbvio, embora com natureza diferenciada.
O porto de Sines, o maior de águas profundas do país, continua a atrair fortes e diversifi cados investimentos, a fazer de trave mestra para visões estratégicas e, sobretudo, polo robusto de parte substantiva das exportações do país.
Ao longo dos tempos foi moldando e ampliando as suas características e modelos de gestão e funcionamento. Em alguns aspetos, já foi mais do que é hoje, sendo que hoje é o pode ser, tendo em conta as especificidades das atividades que ali aportam, nomeadamente que compõem a cadeia de valor da economia verde
Mas o porto não está, de todo, dissociado do concelho onde se insere. E esse padece do mesmo problema de muitos ou de todos os outros, a falta de habitação.
Esta semana, por razões profissionais, estive duas vezes com o atual presidente do porto de Sines, que conheço há mais de 30 anos. E, mesmo abordando as questões estratégicas e de desenvolvimento daquele infraestrutura gigante, a habitação veio sempre à baila. E porque?, porque há receios de que alguns dos mega investimentos previstos para ‘atracar’ em Sines não se concretizem porque, alavancando milhares de postos de trabalho, poderão não conseguir fixar essa necessidade de trabalho por falta de alojamento.
Não é um problema menor e acresce à falta de trabalhadores especializados de que se queixam muitos empresários do setor portuário. Mas se nada se fizer, a região e o país poderão perder estes projetos tão importantes para a vitalidade da nossa economia e para o desenvolvimento regional.
Parece que algumas empresas, de forma peculiar, já estão a meter a mão na massa, adquirindo terrenos e procurando licenciamentos para construir habitação para os seus próprios trabalhadores. Umas conseguem, outras estão longe de o conseguir.
É urgente, pois, também a este nível, procurar soluções de forma urgente, envolvendo todas as entidades com responsabilidade no setor, políticas e não só. Porque é agora que hora e não para depois das oportunidades perdidas.



