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A agenda em torno da comemoração do centenário de Luiz Pacheco – nascido a 7 de Maio de 1925 – continua a adensarse. Várias iniciativas estão programadas, entre as quais, por exemplo, a digitalização e divulgação do seu espólio, a edição de antologias e reedição de livros já publicados, a tradução da sua obra para mais línguas, uma exposição itinerante, que viajará fora do Pais» – assim se dava a saber na edição do Avante! de 22 de Maio passado, retomando uma aventura da edição anterior na qual se recordava o Avante! de 19 de Julho de 2007: «inscrito no Partido em 1989, e tendo vivido em Lisboa, Setúbal, Palmela e Montijo (onde faleceu a 5 de Janeiro de 2008), foi em Setúbal que, mal chegado, pediu que lhe fi zessem “o favor de mandar o meu cartão novo do nosso PCP” – exigência típica como aquela de informar por postal, a 18 de Maio de 1990, a Livraria Uni Verso, paredes meias com a Praça do Bocage, que estava “em trânsito para Loures, Congresso do glorioso P.C.P.”, para o qual fora convidado.

«Nestes saltos e mais saltos, há testemunhas: por exemplo, quando um responsável local do Partido o ia encontrar para acertar o que havia a acertar, embora já numa fase prolongada de debilidade, a primeira coisa que repetia fazia-o com determinação: “quero ter um funeral como o do Ary dos Santos: com a bandeira do Partido e com discurso”. Tal não faltou, na Basílica da Estrela.

«Custasse o que custasse, até com lupa, estendido na cama, lia o Avante! de uma ponta a outra, e pugnava por ter as quotas sempre em dia.

«Em Setúbal, é bem conhecido o trabalho de azulejaria da Ratton Cerâmicas pelo punho de Andreias Stocklein evocando, em espaços prolongados no Túnel do Quebedo, Vasco Mouzinho de Quevedo, Bocage, Sebastião da Gama, José Afonso e Luiz Pacheco. Não longe está, na Av. 5 de Outubro, o Edifício Arrábida, o Centro de Trabalho PCP, construído na base de uma ampla recolha solidária de fundos. O último citado não se inibiu de tornar público o seu contributo de 1000$00, mil escudos, chamando o seu a seu dono: “Há aqui um tijolo que é meu”».

Valdemar Santos – Militante do PCP