O mesmo é dizer que, mais um voto, mais uma legislatura.
E assim se cumpre a democracia. O povo votou, está votado e, cumpra-se a sua vontade.
A AD saiu claramente reforçada e o Chega idem, idem, aspas, aspas, ou seja, cada qual ganhou os seus desafios e os campeonatos para os quais concorriam.
A AD vai governar com certeza mais confiante e legitimada, tendo atrás de si dois partidos, que se se juntarem podem ainda fazer a tal coligação negativa, mas sendo que a relação de forças mudou e se antes a diferença entre o primeiro e o segundo partido era de 1%, agora é de quase 10%, o que fará o PS pensar duas vezes cada vez que quiser invabializar, apenas por inviabilizar, as propostas do governo.
O PS arrisca-se mesmo a ser um partido marginal, como acontece noutros países, uma vez que a sua estratégia falhou e o Chega cresceu à sua custa e não à custa do PSD, como erradamente pensavem que ia acontecer e, Luís Montenegro com o seu providencial “Não é Não” é neste momento o único tampão do Chega ao topo e doravante, quando os portugueses tiverem de escolher entre o Chega e os outros, o voto útil arrisca-se a ser no PSD, para as pessoas não dispersarem votos entre o PS e o PSD, arriscando a que o Chega ganhe.
Mas confesso que, apesar desta profecia catastrofista ser possível, acredito piamente que a AD vai continuar a governar bem para os portugueses e, da próxima vez, ainda vai reforçar mais a sua votação, de modo a ser premiada pelo bom trabalho.
Se o próximo governo atacar de frente os problemas que mais preocupam os portugueses, que são a saúde, a segurança, a justiça, a educação e a imigração descontrolada, os partidos marginais ou de protesto perdem um pouco as suas bandeiras.
Vejamos o caso da saúde. Entretanto com estes últimos casos conhecidos, em que os médicos ganham milhares de euros em cirurgias extraordinárias, os portugueses começam a perceber algumas das perversões do sistema e este há-de se auto-regular. O governo tem de ter coragem de atacar o problema de frente e os partidos têm de fazer um pacto de regime e mudar as regras de acordo com o interesse público, mas não contra os médicos e os restantes membros do sector.
Já na justiça, urgem reformas urgentes, que ataquem os mal endémicos do sector. Os prazos, O modelo e todos o sector têm de ser revistos, para acabar com a lentidão. Tem de se atacar de forma implacável a corrupção e o compadrio, mas a sensação de impunidade dos fortes e as prescrições, reflexo da lentidão na justiça, têm mesmo de ser uma prioridade.
Regular a imigração, fiscalizar e normalizar, terão de ser grandes objectivos do próximo governo. Não esquecer a importância da imigração e não cair em extremismos. Se este objectivo for alcançado, automaticamente resolvemos alguns problemas da sustentabilidade sa segurança social e de sectores que não estão a responder, devido a alguns excessos, incluindo na saúde com uma sobrecarga de novos inscritos, que anularam os esforços para combater as desigualdades anteriores.
Termino, como comecei, com uma palavra de esperança – a votação do Presidente da Assembela da república, na pessoa do Dr. Aguiar Branco, tão diferente da que foi há um ano, é um retrato fiel do que aqui disse – um Chega a querer parecer mais institucional e um PS sem ânimo para fazer sequer oposição, deixarão a AD governar, seguramente este ano de 2025 e, pelo menos 2026.
2027 ainda está distante, mas aí, não garanto que não haja outra moedinha e outra voltinha, o mesmo é dizer que a oposição não obrigue a novas eleições, quando se recompuser.
Paulo Edson Cunha – Advogado



