Palmela tenta salvar investimento de 200 milhões em estúdios de cinema

O presidente da Câmara de Palmela pediu uma audiência ao primeiro-ministro devido à possibilidade de o município perder um projeto de instalação de estúdios de cinema no concelho, um investimento de 200 milhões de euros.

Segundo o presidente do município, Álvaro Amaro, a construção de estúdios de cinema no Vale do Alecrim, no Pinhal Novo, no âmbito de uma parceria entre a autarquia e a FreshWisdom, está em causa porque os investidores consideram insuficiente a dotação financeira de 20 milhões de euros do ‘cash-refund’.

“O ‘cash-refund’ é uma forma de reaver o dinheiro investido em impostos. É isto que atrai as grandes produtoras de cinema internacionais, que consideram este incentivo manifestamente insuficiente face à criação de valor e aos custos astronómicos das produções”, disse à Lusa.

“As produtoras, de uma maneira geral, pedem um aumento gradual deste ‘cash-refund’ em Portugal para 100 milhões de euros até 2028”, acrescentou o autarca, que tem acompanhado o desenrolar do processo desde 2021.

O pedido de audiência surge na sequência de uma notícia do Jornal Económico sobre a decisão dos investidores do Tage – Centro Internacional do Audiovisual de rescindir o contrato de promessa de compra e venda do terreno para os estúdios de cinema, colocando em risco a implementação do projeto.

Numa nota de imprensa divulgada hoje, a Câmara de Palmela, no distrito de Setúbal, adianta que os “investidores têm vindo a promover o conceito da chamada Hollywood Verde em todo o mundo, o que gerou enorme expectativa dentro do setor, pela inovação e sustentabilidade, constituindo-se como alternativa à hegemonia dos estúdios norte-americanos”.

“Para Palmela, para a região e para o país, está em causa um investimento de 200 milhões de euros, numa primeira fase, com efeitos diretos e indiretos na economia do distrito de Setúbal e do país, pelo que deverá merecer da parte das entidades públicas adequada atenção”, lê-se na nota.

A Câmara de Palmela refere ainda que a Tage participou na Consulta Pública do Programa de Financiamento à Indústria do Audiovisual e do Cinema, efetuada pelo Governo, e que terá alertado o primeiro-ministro e o ministro das Finanças para a necessidade de se alterar a legislação atual, de forma a viabilizar a implementação do proje