Calores e colapso climático

Portugal e a Europa, para só avaliar este pedaço do planeta, voltaram a estar sob a mira de temperaturas extremas, e com elas regressa a inquietação de muitos de nós, com incidentes que já se tornavam rotina: incêndios mais descontrolados, alertas vermelhos, noites tropicais e recordes batidos, como no caso de Mora, no Alentejo. Parece que o clima está em competição consigo próprio. Já nem sequer falamos de ondas de calor como eventos raros, mas como sintomas de uma doença crónica, o chamado colapso climático.

É impossível ignorar que estes fenómenos extremos se tornaram mais frequentes, intensos e longos. Os dados são claros, os cientistas são unânimes: a atividade humana está a aquecer o planeta. E, mesmo assim, ainda ouvimos vozes que desvalorizam, negam ou relativizam a gravidade desta crise. Negacionistas que, armados de desinformação ou ideologia, tentam desacreditar décadas de consenso científico. E mais que isso, as evidências que se avolumam a cada ano que passa.

E os que repetem a mesma ladaínha, do tipo, “sempre fez calor no verão” ou que “é apenas um ciclo natural” mostram ignorância e irresponsabilidade. Porque negar a crise climática não a faz desaparecer, apenas adia a ação necessária, urgente. E cada ano que passa sem mudanças estruturais é um ano a mais de sofrimento para populações vulneráveis, para os nossos ecossistemas e para as futuras gerações.

Portugal, nomeadamente, com a sua geografia e clima, está na linha da frente dos impactos. As vagas de calor matam, aumentam o risco de incêndios, afetam a agricultura e pressionam os serviços de saúde. Não podemos continuar a tratar isto como um “novo normal”. Precisamos de ação política séria, transição energética urgente, educação ambiental e, acima de tudo, coragem coletiva para enfrentar uma verdade desconfortável.

Negar as alterações climáticas hoje é como negar um incêndio quando as chamas já lhe batem à porta.