Dramaturgia convida o público mais jovem e também as famílias a descobrir o papel e peso do bullying e a refletir sobre o poder da criatividade e da empatia.
A Animateatro – Companhia de Teatro estreia este domingo, no Cinema S.Vicente, no concelho do Seixal, a 37ª criação para a infância e família, uma peça intitulada “A Teia da Verdade”. Este espetáculo, encenado por Sérgio Prieto e Lina Ramos, procura promover uma história em que o público mais jovem e também as suas famílias possam descobrir o peso e papel do bulliyng, que nasce muitas vezes do medo ou da falta de compreensão.
“A ideia partiu da Lina Ramos de trabalharmos e passarmos a mensagem para a infância e o juvenil, que é o nosso público-alvo, que as palavras, as atitudes e a mentira têm um peso e que devemos ser conscientes relativamente a isso. E que também devemos ter atenção ao bullying e passar ainda a mensagem de sermos verdadeiros com os outros e principalmente connosco” explica ao Semmais, Sérgio Prieto.
O espetáculo, que conta com texto de João Ascenso, procura trabalhar estas ideias, inspirando-se no mito grego de Aracne, que segundo a mitologia conta a história de uma jovem muito admirada pelos seus trabalhos de tecelagem. A popularidade de Aracne era tal que começou a comparar-se à deusa Atena na qualidade dos seus trabalhos. No Olimpo, Atena ficou furiosa com a petulância da mortal quando recebeu a notícia. “O universo que transportamos é um em que Aracne é uma criança tecelã feliz, que adora o que faz e que tem um talento absolutamente incrível. Os seus amigos acabam por ter um pouco de inveja dela e acabam por dizer umas coisas que não são verdade e o ambiente acaba por ser um pouco poluído por Eco, uma personagem um pouco mais divertida, a Aracne, que acaba por aprender uma lição e ter algumas surpresas. A intenção é através deste mito passar a mensagem das palavras, da vaidade e do poder da mentira”, adianta o dramaturgo.
Estimular a criatividade e a imaginação
Para Sérgio Prieto o contacto do público com estes temas, ainda de forma figurada nas peças de teatro é de enorme importância e convida a uma estimulação para a reflexão. “Temos de estar atentos à forma como tratamos os outros e os jovens estão a ser formados e são influenciados. Hoje em dia uma criança está a crescer e que, se calhar, tem um potencial incrível e há alguém que a manda abaixo, brinca ou goza e não vai contribuir para o seu desenvolvimento”, reitera o encenador.
O teatro, para o mesmo responsável, ainda é um espaço importante para fomentar a criatividade e a imaginação dos públicos mais jovens. “Pode parecer cliché, mas na altura dos streamings, das televisões, dos tablets, a arte do teatro, que é efêmera, é muito importante. As crianças aprendem a lidar com as suas emoções e a ver o mundo de outra madeira. Hoje existem muitos estímulos e provoca um pouco de défice de atenção, se não for assim algo imediato, cheio de cores e efeitos, mas é interessante ver e é sinal de que temos feito um bom trabalho, que conseguimos captar a atenção e fascina-los durante as nossas peças. Que a magia do teatro precisa de ser trabalhada e demora a construir, mas quando chega é algo único”, sublinha Sérgio Prieto.



