Peça, que conta com a direção de António Machado e Sofia Belchior, é o segundo de quatro promovidos no ciclo ATEMPO, que propõe uma reflexão entre o Tempo e a Memória.
“Substância do Ser” é o novo espetáculo da DançArte, que estreia esta sexta-feira no Cine Teatro S.João, em Palmela, e que se manterá em cena até domingo. Esta é a segunda de quatro criações que a companhia, sediada naquele concelho, apresentará no âmbito do ciclo “ATEMPO”.
O espetáculo, criado e dirigido por Sofia Belchior e António Machado, partem da inspiração que guia este ciclo, propondo uma reflexão sobre os conceitos de tempo e memória. “Eu e o António já trabalhamos esta temática do tempo diversas vezes, inclusivamente nas peças para os mais novos. Desta vez, decidimos dedicar um ciclo a essa temática central, mas não sobre o tempo em si, mas tudo o que dele podemos associar. Esta segunda criação tem muito a ver com o tempo e a memória, o que nós fazemos em relação áquilo que já vivemos e às memórias que estão por vir”, começa por explicar Sofia Belchior em conversa com o nosso jornal.
Além do tempo e da memória, para a criadora este espetáculo, seja através da sua conceção e concretização, tem também uma importante vertente que é a de questionar. “Temos feito muita pesquisa à volta do tempo e é um tema que quanto mais exploramos, mais perguntas se tem. Inclusivamente, tivemos uma consultoria de uma perguntóloga, de uma filósofa, para nos ajudar com o enquadramento sobre a pesquisa à volta do tempo e as questões sobre as criações. Tudo isto vai alimentando esse imaginário do tempo, sobre esta substância do ser”, reitera a mesma responsável.
Apesar de integrar o mesmo ciclo que estreou em agosto deste ano, com a peça “Arquitetura da Demora”, na Igreja de Santiago, no Castelo de Palmela, Sofia Belchior esclarece que a peça “Substância do Ser” parte para outras reflexões, não obstante de manter algumas questões da interpretação. “O primeiro espetáculo abordava sobretudo a arquitetura da memória e sobretudo do conceito de tempo, enquanto conceito único. E aqui, como referi, está tudo muito ligado à memória, à construção da memória e à passagem do tempo. Trouxemos desse espetáculo algumas das linguagens, porque o ciclo também procura uma linguagem muito específica em termos de movimento e estéticos. As criações acabam por ser sempre abstratas, o que é interessante porque cada pessoa pode sempre fazer a sua interpretação do espetáculo”, sublinha a coreografa.
“Substância do Ser” tem estreia marcada para esta sexta-feira pelas 21h30, com sessão no sábado à mesma hora. No domingo a sessão é às 17h00.



