O PSD/Almada criticou hoje o acordo de governação entre o PSea CDU (coligação PCP/PEV) na autarquia, no distrito de Setúbal, considerando que ambos vão manter Almada atrasada”.
“A CDU porque é assim que gosta, o PS porque não sabe fazer melhor”, referiu, em declarações à agência Lusa, o presidente do PSD/Almada, Paulo Sabino, atualmente um dos dois vereadores sociais-democratas no executivo.
Cerca de um mês depois das autárquicas de 12 de outubro, o PS e a CDU chegaram a um acordo de governação para a Câmara Municipal de Almada, liderada pela socialista Inés de Medeiros, que foi reeleita com 29,10% dos votos (sem maioria absoluta).
Para o mandato de 2025-2029, o PS elegeu quatro mandatos e a CDU, com 20,6%, assegurou três vereadores. O PSD, que no mandato autárquico anterior chegou a ter um vereador com pelouro – foi-the retirado no inicio deste ano, depois de, em sede de Assembleia Municipal, os sociais-democratas terem chumbado o orçamento camarário -, elegeu agora dois vereadores e o Chega outros dois.
Em declarações à agência Lusa, o lider da concelhia de Almada do PSD explicou que logo a seguir às eleições de 12 de outubro os sociais-democratas foram contactados pela presidente eleita, mas decidiram recusar.
“O PSD teve essa experiência e não foi positiva. As obras, as nossas iniciativas não eram colocadas em prática”, disse, adiantando que o PSD será agora lider da oposição, tendo em conta que a CDU entrou num acordo com o PS.
O vereador criticou a posição da coligação PCP/PEV, sublinhando que antes considerava estar tudo estava mal e criticava o acordo de governação feito no anterior mandato por PS e PSD.
“Para quem proclamava tanto uma oposição frontal durante tantos anos, renderam-se facilmente ao poder. Nós também já lá estivemos, também experimentámos, mas não correu bem porque muitos projetos ficaram na gaveta”, disse.
A concelhia promete continuar a fiscalizar, a apresentar propostas construtivas e “a dar um caminho de futuro a quem acha que Almada pode ser muito mais do que isto”.
“Estabilidade na governação” em vez de “querelas partidárias”
Na noite eleitoral, Inês de Medeiros, presidente da autarquia nos últimos oito anos, anunciou que encetaria conversações com todos os partidos, exceto com o Chega, força que classificou como não democrática.
Em declarações à agência Lusa, a autarca explicou que, independentemente do ocorrido no mandato passado, iniciou o processo de negociações com o PSD e com a CDU, e que os sociais-democratas anunciaram não aceitar pelouros.
“O PSD disse logo que não estava interessado, que não iria aceitar qualquer pelouro, enquanto a CDU se mostrou disponivel para conversar”, disse, adiantando que o acordo escrito entre o PS e a CDU está ainda a ser finalizado e que este entendimento possibilitará alguma estabilidade na governação para desenvolver trabalho em prol da comunidade almadense, em vez de se andar em querelas partidárias”.
Os eleitos da CDU assumirão os pelouros da Higiene Urbana e Frota, da Intervenção Social e Saúde, a presidência dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS) – cuja administração integrará um vogal nomeado pelo PS e um segundo vogal por mútuo acordo -, bem como a área do movimento associativo e a Casa das Associações – para apoio logistico, técnico e jurídico.
Numa nota pública divulgada da rede social Facebook, a CDU explicou que os seus vereadores “assumirão pelouros no pressuposto da garantia da dotação de um orçamento adequado, estabelecido a partir de uma avaliação objetiva das reais necessidades de investimento na renovação, manutenção e conservação das infraestruturas e equipamentos”.
Para concretizar o quadro de responsabilidades executivas, dois vereadores eleitos pela coligação ficam em regime de tempo inteiro e um vereador em regime de meio tempo.
O entendimento sobre o mandato de 2025/2029 na Câmara Municipal de Almada pressupõe que seja feita uma auditoria financeira externa e independente ao universo municipal, abrangendo a autarquia, os SMAS e a empresa municipal WeMob, a concretizar com a maior brevidade possivel
A auditoría, segundo a CDU, constituirá um instrumento de transparência e rigor na gestão pública, devendo o seu processo ser acompanhado por representantes de ambas as forças politicas.
O acordo recebeu também criticas por parte da Iniciativa Liberal, que, em comunicado, o classificou como um desrespeito ao eleitor almadense, por tal hipótese nunca ter sido colocada durante a passada campanha eleitoral.
Para a IL(Almada, a entrega à CDU de áreas essenciais como Higiene Urbana, Intervenção Social, Saúde e, sobretudo, a presidência dos SMAS e do associativismo “representa uma cedência significativa do PS/Almada, que compromete a independência da gestão municipal e devolve à CDU/Almada um poder que os almadenses não atribuiram nas urnas”.






