A criação da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIM) é, provavelmente, a oportunidade mais importante que a região tem ao seu dispor nas últimas décadas. Ao contrário do que aconteceu enquanto esteve integrada na Área Metropolitana de Lisboa, a Península poderá finalmente falar a uma só voz e disputar os fundos comunitários que tantas vezes lhe passaram ao lado. Ou pior, foram-lhe sonegados por uma tabela estatística a partir de Bruxelas.
A reunião da semana passada no Barreiro mostra que o processo avança, mesmo com ausências e ritmos diferentes entre municípios, esperando eu que ninguém fique de fora e se alargue o consenso, a partir de uma base política e estratégica consistente. Mas o essencial está garantido: a ideia de que a CIM é indispensável para planear o desenvolvimento económico, melhorar a mobilidade, reforçar a competitividade e coordenar políticas públicas que nenhum município conseguirá executar sozinho.
A CIM oferece também uma resposta concreta às necessidades das empresas e instituições da região. Projetos industriais, iniciativas de inovação tecnológica, investimento em logística e transporte, bem como programas educativos e culturais, só podem atingir escala e impacto real se forem pensados de forma integrada. A ausência de um organismo coordenador até aqui limitou o potencial da Península de atrair investimentos mais significativos e de posicionar-se como um polo estratégico dentro do país.
Outro ponto crucial é a coesão social e territorial. Com a criação da CIM, será possível equilibrar políticas entre áreas urbanas e rurais, aproximar serviços públicos das populações e garantir que o crescimento económico não se faz à custa das desigualdades. É também um passo decisivo para consolidar a imagem da Península de Setúbal como uma região moderna, competitiva e capaz de projetar-se internacionalmente. Isso ficou bem patente num debate que o Semmais realizou por altura das eleições autárquicas.
E é certo que a saída recente de várias câmaras da AMRS, incluindo agora Setúbal, confirma que a região exige um novo modelo institucional. A AMRS cumpriu o seu papel, mas perdeu capacidade de resposta. A CIM surge como o instrumento certo para um território que precisa de estratégia, massa crítica e financiamento.
A Península de Setúbal não pode perder mais tempo. A CIM é a melhor ferramenta para transformar potencial em futuro. E é urgente usá-la, se possível ‘todos juntos’, sem amarras partidárias, ideológicas ou birras políticas.



