Sesimbra lidera, com a pontuação máxima, a escala traçada para o consumo humano. Em 13 concelhos apenas Alcácer e Palmela não chegaram aos 99 por cento de satisfação, o que pode ter ficado a dever-se a incumprimento dos prazos para as análises.
Sesimbra é, entre mais de duas centenas de concelhos portugueses analisados pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), um dos que atingiu a pontuação máxima relativa à qualidade da água para consumo doméstico servida durante 2024. No passado ano o concelho sesimbrense chegou aos 100 por cento. Tendo em conta que os parâmetros utilizados classificam como muito positivos os resultados obtidos, apenas dois municípios não atingiram os valores qualitativos propostos.
“O facto de o nosso concelho ter atingido a pontuação máxima é, evidentemente, um motivo de orgulho. A câmara de Sesimbra faz, há muitos anos, todos os esforços para que a qualidade de água disponibilizada no concelho seja a melhor. Para que isso seja possível é necessário, no entanto, que anualmente se façam investimentos na ordem das centenas de milhares de euros na rede de distribuição pública”, explicou ao Semmais o vereador da autarquia responsável pelo respetivo pelouro, José Pulido.
“Existe, de facto, uma preocupação constante do município para que todos os habitantes usufruam das melhores condições. No último ano foram investidas centenas de milhares de euros num reservatório na Quinta do Conde. No próximo ano, na mesma freguesia serão gastos mais 400 mil euros no reforço das condutas e num novo furo de captação de águas”, adiantou.
José Pulido explicou depois que a oferta de melhores condições é “fundamental” para que o concelho continue a progredir: “Há, apresentando a respetiva qualidade do que é fornecido, mais hipóteses de atrair mais pessoas para o concelho. É por isso que em Sesimbra não descuramos o constante reforço e melhoramento das infraestruturas existentes”.
De acordo com os critérios estabelecidos pela ERSAR, que relativamente a 2024 entendeu atribuir 72 “Selos de Qualidade Exemplar de Água para Consumo Humano”, Sesimbra cumpriu todos os pressupostos estipulados, atingindo não só os valores paramétricos, como também respeitou as datas para a realização de todas as análises. “Temos, na câmara de Sesimbra, o hábito, desde há anos, de cumprir todas as datas marcadas, mas também de realizar outras, da nossa própria iniciativa, que sirvam para aferir acerca da qualidade da água da rede pública”, adiantou José Pulido.
“Temos a preocupação de, todos os anos, nos inteiramos do estado dos recursos existentes. É por isso que, por exemplo, sabemos que trabalhos temos de executar no furo de captação da Lagoa de Albufeira. Também sabemos que há furos que estão a chegar ao seu limite e, por isso, procedemos à sua substituição”, referiu.
Onze anos sem aumentar tarifários
O valor dos serviços prestados tem, para além dos qualitativos da água certificados mediante as análises, especial relevância pelo facto de os custos não serem demasiados onerosos para os utilizadores. De acordo com o vereador contactado, Sesimbra mantém preços por metros cúbicos para agregados familiares que não ultrapassem as quatro pessoas, montantes inalteráveis há 11 anos.
“Os tarifários não são alterados há 11 anos, apesar de a autarquia ter de pagar anualmente à Agência Portuguesa do Ambiente cerca de 100 mil euros relativos à água. Estamos muito satisfeitos por podermos manter para cada família que não ultrapasse os quatro elementos, um valor de 0,3188 euros por cada um dos cinco metros cúbicos consumidos (um metro cúbico corresponde a1.000 litros de água)”, disse.
De acordo com José Pulido o facto de o município manter estes custos inalterados há tanto tempo só prova que existe um compromisso com a população. “Muitas pessoas não fazem ideia do que é necessário fazer e gastar anualmente para manter o abastecimento público em níveis de excelência. Em Sesimbra existem sistemas que permitem que, em caso de necessidade, a água seja levada para áreas que sem válvulas de seccionamento ficariam impedidas de servir as pessoas. Esta é uma forma de mantermos o abastecimento em todas as zonas”, referiu, afirmando que no concelho não existem, até ver, problemas relacionados com o esgotamento de furos de captação.
Apenas dois concelhos abaixo dos 99 por cento
Alcácer do Sal e Palmela são, segundo a ERSAR, os únicos dois concelhos dos 13 que integram o distrito de Setúbal que no passado ano não atingiram a média considerada positiva de 99 por cento relativa à análise das águas. Tal facto não significa, no entanto, que o líquido analisado seja de menos qualidade, mas pode significar que, por exemplo, não tenham sido cumpridos todos os preceitos estabelecidos, nomeadamente o cumprimento das datas estabelecidas para a realização das análises. De acordo com os valores tornados públicos pela ERSAR, foram estes os valores registados em cada um dos concelhos relativos a 2024.







