Já passaram dez (quase onze) anos

No dia 6 de Dezembro, pelas 16h30, concluímos as comemorações do 10.º aniversário da Mascarenhas-Martins que decidimos prolongar ao longo de 2025. Vamos propor a escuta integral do disco “Já passaram dez anos”, apresentar a última edição de “Memorabilia” (projecto editorial dedicado a fixar e partilhar memórias) e conversar sobre o futuro.

A Mascarenhas-Martins surgiu em 2015 e, ao longo desta década, já fez um pouco de tudo: espectáculos de teatro, concertos, documentários, discos, livros, conversas, encontros, leituras encenadas, oficinas, espectáculos para a infância, iniciativas para público escolar, visitas guiadas, programação cultural. A lista provavelmente nem está completa, já aconteceram muitas coisas

O que decidimos foi criar uma companhia multidisciplinar que contribuísse, à sua escala, para que no seu território de actuação houvesse uma oferta cultural o mais diversificada e regular possível. Esta vontade penso que se reflecte sobretudo no trabalho que temos vindo a fazer desde que a Câmara Municipal do Montijo nos convidou a programar o auditório da Casa da Música Jorge Peixinho, espaço inaugurado a 25 de Abril de 2023.

Que não se pense que é fácil o percurso de uma estrutura como a Mascarenhas-Martins. É um facto que chegámos relativamente depressa a uma situação de alguma estabilidade, com a actual conjugação entre o financiamento da Direcção-Geral das Artes, da Câmara Municipal do Montijo, da Junta de Freguesia da União das Freguesias de Montijo e Afonsoeiro e apoios da União das Freguesias de Pegões e Junta de Freguesia de Canha (estas últimas para o ciclo “ao lado”). Tivemos o privilégio de programar um espaço novo, o que é actualmente raro no panorama cultural português (não por falta de capacidade de companhias, produtoras, artistas, mas por outros motivos, sobretudo políticos, que não cabem neste texto).

Mas esta relativa rapidez no percurso da Mascarenhas-Martins trouxe muitas exigências, algumas delas para as quais não era possível sequer estarmos preparados — quem, na sua vida, tem a oportunidade de acompanhar os primeiros passos de um espaço cultural por mais do que uma vez?

Porém, apesar de todas as dificuldades, parece-me que nos podemos orgulhar do que tem acontecido nestes anos mais recentes, para não falar de muito do que conseguimos fazer antes, em condições ainda mais desafiantes.

À data, a Mascarenhas-Martins faz já parte da lista oficial de entidades que sabem que podem contar com o Apoio Sustentado da Direção-Geral das Artes para o quadriénio 2027-2030, por terem recebido uma avaliação positiva da execução das suas actividades no quadriénio em curso.

É um reconhecimento do esforço que tem sido feito e o compromisso de que uma parte do financiamento da actividade de serviço público que fazemos está garantida. Caberá agora ao novo executivo da Câmara Municipal do Montijo decidir de que forma pretende dar continuidade à parceria que tem existido nos últimos anos. Pela parte que nos toca, estamos, como sempre estivemos, disponíveis para contribuir para a maior regularidade e diversidade possível no que diz respeito à oferta cultural local.

Levi Martins – diretor da companhia Mascarenhas-Martins