O Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA) de Setúbal enfrenta um aumento da procura diária por refeições quentes. Através do programa “Tacho Solidário”, a entidade apoia mais de meia centena de pessoas sem casa ou em situação de carência.
O frio e a deterioração das condições económicas acentuam o drama de quem procura, pelo menos, uma refeição diária. É este o principal desafio do CASA, que se dedica a apoiar não apenas os sem-abrigo, mas também aqueles que enfrentam diversas carências.
Nas últimas semanas houve um aumento repentino nos pedidos de ajuda. Antes atendíamos entre 40 e 50 pessoas, agora já temos entre 70 e 75 a recorrer regularmente ao ‘Tacho Solidário’. Estes números superam os do mesmo período do ano passado, infelizmente. O nosso objetivo principal é garantir que estas pessoas tenham, pelo menos, uma refeição quente e completa por dia”, explica Isabel Jesus, voluntária e uma das coordenadoras do CASA em Setúbal.
Para enfrentar os desafios do trabalho comunitário, o CASA conta com o apoio de parceiros, como o Pingo Doce, mecenas e amigos que facilitam a missão da associação, especialmente nesta época do ano. “Temos uma empresa de catering que, nos últimos anos, nos ofereceu a ceia de Natal. Isso permite proporcionar uma ceia mais digna, geralmente com bacalhau, legumes e carne assada”, acrescenta Rogério Almeida, voluntário e membro da coordenação.
Além da comida quente, o CASA procura oferecer outros apoios aos que recorrem à instituição nesta quadra. “No Natal, distribuímos pequenas lembranças, kits de voluntários e doações de mecenas. No ano passado, oferecemos sacos-cama, uma ajuda modesta, mas importante para quem pernoita na rua. Também distribuímos presentes para crianças de algumas famílias. Atualmente, temos uma campanha de roupas, mantas, cobertores e edredons em andamento para fazer novas entregas”, explica Isabel Jesus.
Apesar da generosidade da população, os responsáveis do CASA notam dificuldades crescentes. “Nas últimas campanhas de recolha, algumas pessoas admitiram não poder doar mais. Queriam muito ajudar, mas não conseguiam”, revela Isabel Jesus.
Segundo a voluntária, isso deve-se a um “estrangulamento económico crescente”, especialmente na classe média, de onde vêm a maioria das doações para associações deste tipo.
O CASA suporta todos os custos das operações — eletricidade, água, gás e o serviço de balneário para sem-abrigo — e esforça-se para nunca falhar com a sua missão. “O nosso maior problema é a proteína, carne ou peixe. É algo que conseguimos com dificuldade e, muitas vezes, do nosso próprio bolso. Todos os dias gasto cerca de 14 a 15 quilos de carne, o que representa entre 75 e 80 euros diários, ou 480 a 500 euros por semana”, sublinha Rogério Almeida.
“O abastecimento da despensa ainda nos preocupa, mas felizmente conseguimos superar as dificuldades com ajuda. Gostaria que o apoio não oscilasse tanto. Entendo que as pessoas doem mais nesta altura do ano, mas estas pessoas precisam de ajuda durante todo o ano, não só em dezembro”, conclui o voluntário, em tom de desabafo.



