António Filipe critica “campeonato da moderação” entre adversários

António Filipe

O candidato presidencial apoiado pela CDU esteve ontem à noite numa sessão pública na Amora, concelho do Seixal.

António Filipe disse ontem que se tem visto uma espécie de campeonato da moderação entre os adversários, o que considerou ser outra forma de dizerem que “querem deixar tudo igual ou pior”.

“Nós temos visto agora que há uma espécie de campeonato da moderação, vemos os candidatos, todos querem ser moderados. Até já há uns candidatos a dizer que os candidatos da extrema-direita parecem moderados”, afirmou o candidato, que falava numa sessão pública no Seixal, concelho que é liderado há 50 anos pelos comunistas.

O candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP e PEV disse mesmo que há candidatos que, sem nunca citar nomes, mudaram de discurso “várias vezes”.

“Mas falam todos da moderação, os candidatos querem ser todos moderados, mas eu quero dizer que isso da moderação é uma outra forma de dizer que querem deixar tudo na mesma ou para pior”, advertiu.

E salientou: – “Isto não vai lá com apelos à moderação, vai lá com políticas de esquerda”.

António Filipe reforçou que é o país precisa de “um novo rumo” e que não precisa de pactos quer seja na saúde, justiça ou educação.

“Não precisamos de pactos, precisamos é de políticas de acordo com a Constituição e é uma responsabilidade dos órgãos de soberania prosseguir essas políticas”, frisou, defendendo que, “para enfrentar o peso que a direita tem hoje na vida política nacional, é preciso uma perspetiva de esquerda”.

António Filipe disse que “só se reforça a esquerda votando numa candidatura de esquerda” e não “em candidaturas que nem de esquerda se assumem”.

“Porque fazer de conta que se é de esquerda e pactuar com políticas de direita só beneficia a direita (…) Se alguém, afirmando-se de esquerda ou em nome da esquerda, faz políticas de direita, a esquerda fica com a má fama e a direita fica com o proveito”, frisou.

E, frisou, esse resultado, tem que ser construído nestas eleições, “independentemente de condicionamentos, de sondagens, meias-sondagens ou coisas parecidas com sondagens”.

“A verdadeira sondagem vai ser a decisão do povo português no próximo dia 18 de janeiro e é nesse objetivo que nós temos de nos fixar”, realçou.

Desafiado a comentar a mais recente sondagem da Católica, que coloca André Ventura e António José Seguro a disputar a segunda volta das eleições presidenciais, António Filipe disse, à margem da sessão, que “não anda na vida de calculadora na mão nem faz cálculos relativamente a eventuais resultados nas eleições de domingo”.

“Portanto, não vamos em cantos de sereia, em apelos às ditas moderações, em apelos aos pactos disto ou daquilo, quando há valores tão importantes que é preciso defender e que é preciso projetar no futuro e daí a importância do nosso resultado”, concluiu.

Também presente na sessão, Paula Santos, líder parlamentar do PCP, fez um apelo ao voto em António Filipe porque é o candidato que “dá garantias de uma intervenção que rompa com o atual estado de coisas”.

“Não deixar que a chantagem, o medo, condicione a livre opção de cada um. Isto é o que temos tido e o resultado está à vista com o crescimento da direita e da extrema-direita e com a sucessiva degradação das condições de vida”, referiu ainda a deputada comunista.

LUSA