Gouveia e Melo critica Governo por não ter ainda tirado conclusões na Saúde

Gouveia
Foto: Bombeiros Voluntários da Moita

Na Moita, o candidato presidencial Gouveia e Melo considerou que o Governo já ultrapassou os prazos para resolver os problemas na saúde, criticando o executivo por, passados quase dois anos, não ter ainda tirado conclusões sobre as falhas no setor.

“Quando as coisas falham, porque é que nós mantemos os responsáveis […] Claro que há um tempo que tem que se deixar passar, mas dois anos depois, e não se tiram conclusões […] porque há uma lógica partidária que se sobrepõe à lógica nacional”, declarou Gouveia e Melo ontem na Moita, onde visitou, por exemplo, as instalações dos Bombeiros Voluntários daquele concelho.

Questionado pelos jornalistas se o Governo está a falhar os prazos na resposta aos problemas na saúde, o candidato disse considerar que “já ultrapassou esses prazos, insistindo em que as conclusões têm de ser tiradas “pelos responsáveis próprios” e não pela Presidência da República.

“[O atual executivo] Está a governar praticamente há dois anos, com promessas que iria resolver o problema de um momento para o outro. Quando não estava no Governo, estava na oposição, vocalizava um conjunto de críticas que, se agora os puséssemos, a eles próprios, a criticarem-se, seria uma coisa até relativamente aborrecida para os próprios”, sublinhou.

Em Setúbal, críticas a quem escapa à justiça material por ter dinheiro ou posses

No mesmo dia, já no Mercado do Livramento, em Setúbal, o candidato presidencial foi questionado sobre os sucessivos adiamentos no julgamento do antigo primeiro-ministro José Sócrates e, embora sem comentar esse processo, criticou quem escapa à justiça material por ter posses ou dinheiro.

Esta posição do ex-chefe do Estado-Maior da Armada foi assumida depois de ter sido interrogado sobre o recomeço do julgamento do processo Operação Marquês no Juízo Central Criminal de Lisboa.

Tendo ao seu lado o antigo ministro social-democrata da Justiça Fernando Negrão, apoiante da sua candidatura, Gouveia e Melo começou por afastar a tese de que o Presidente da República possa “dar um murro” na mesa para acabar com sucessivos adiamentos de julgamentos.

“O Presidente da República pode pressionar a Assembleia da República no sentido de que faça uma legislação menos permissiva e menos garantística”, contrapôs.

A seguir, o candidato presidencial deixou uma advertência, sempre sem falar em qualquer processo judicial em concreto: “Se a justiça formal tiver uma prevalência muito forte sobre a justiça material, podemos ter situações em que a justiça material não se faz, apesar de ter havido crime”.

“A justiça formal deve permitir fazer justiça material e não ser um mecanismo em que, havendo dinheiro e posses, se possa escapar aos factos da justiça material”, declarou.

No período de pré-campanha, José Sócrates sugeriu que Gouveia e Melo era a melhor opção nas eleições presidenciais para travar o avanço da extrema-direita em Portugal. Mas o almirante reagiu logo no dia seguinte, dizendo que nada tinha a ver com a posição manifestada pelo antigo líder do PS.

Os jornalistas procuraram também saber a opinião de Gouveia e Melo sobre referências a uma situação de assédio sexual publicada nas redes sociais, envolvendo o eurodeputado liberal Cotrim Figueiredo, um dos seus opositores na corrida a Belém.

“Sobre isso não vou fazer nenhum comentário. Não falo sobre isso”, acentuou.

LUSA