O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, admitiu esta quarta-feira que o concelho de Sines, onde estão previstos mais de 20 mil milhões de euros de investimentos, enfrenta um estrangulamento ao nível da habitação.
“Aqui em Sines está a haver um volume de investimento muito grande e ainda virá muito mais investimento para Sines, investimento que está em curso e está a ser preparado e, de facto, o maior estrangulamento, creio que é mesmo a habitação“, afirmou o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida.
O governante falava aos jornalistas, em Sines, à margem de um encontro promovido pela Fundação Repsol para debater a importância deste território na descarbonização da indústria.
Além de considerar que a questão da habitação deve ser resolvida “entre o Estado e a autarquia”, Castro Almeida manifestou vontade em “ter uma pequena conversa” com o presidente da câmara de Sines, Álvaro Beijinha, no sentido de serem encontradas soluções.
“É um assunto que tem de ser resolvido entre o Estado e a autarquia, são os dois que, em boa colaboração, [têm] de encontrar solução para esse problema. É um problema sério, mas que tem de ser resolvido e vamos resolvê-lo com toda a certeza”, afiançou.
Questionado sobre o número de trabalhadores esperados na região de Sines, fruto dos grandes investimentos em curso ou previstos, a curto médio-prazo, o governante lembrou que, apesar de existirem “muitos investimentos que estão a ser preparados”, isso “não significa que todos cheguem ao fim”.
“Há uma ordem de grandeza de muitos milhares de milhões de euros de investimento e, embora tratando-se de investimentos que são muito capital intensivo, estamos a falar de alguns milhares de trabalhadores que irão para Sines nos próximos anos e, por isso, é preciso construir milhares de casas“, sublinhou.
Em novembro do ano passado, o presidente da câmara de Sines convidou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, para conhecer de perto a “relevância estratégica” do concelho para Portugal e para a Europa, e os desafios locais na habitação e infraestruturas.
Na altura, o autarca referiu que “os grandes investimentos atualmente em curso — públicos e privados — representam não apenas oportunidades de crescimento económico, mas também desafios de enorme dimensão, em áreas como a habitação, o ambiente e as infraestruturas, que exigem respostas articuladas e uma visão integrada do desenvolvimento territorial”.
Sobre o atraso nesse planeamento, Castro Almeida defendeu que o Governo está em funções há “pouco mais de um ano”, não sendo, por isso, possível “planear e fazer” casas neste período.
“Agora, à medida que estamos a identificar investimentos que vão instalar-se em Sines, alguns deles ainda não começaram, mas estão a pensar instalar-se, estamos ao mesmo tempo, a procurar pensar na habitação”, acrescentou.
Questionado sobre a importância do projeto Alba, investimento que a Repsol está a realizar no Complexo Industrial de Sines e envolve a construção de duas novas fábricas de polímeros 100% recicláveis, o governante realçou a sua relevância para as exportações do país.
“Estamos a falar de um investimento que vai gerar um volume de exportações ou diminuição de importações na ordem dos mil milhões de euros por ano, o que é muito relevante para nós”, observou.
Após o encerramento da conferência, o ministro da Economia e da Coesão Territorial realizou a sua primeira visita oficial ao Complexo Industrial da Repsol em Sines.
Sem a presença de jornalistas, que não puderam acompanhar a visita, a comitiva inteirou-se sobre o progresso do projeto Alba, o maior investimento industrial em Portugal na última década, e visitou as infraestruturas de energia renovável, incluindo o local do futuro grande eletrolisador para produção de hidrogénio, segundo a Repsol.






