Seguro quer ir à 2.ª volta em 1.º para travar “candidato do extremismo”

Seguro PS

Candidato presidencial estevem ontem em campanha por vários pontos da península. Começou ao final da manhã pelo Seixal, passou por Setúbal e terminou o dia no Barreiro.

O candidato presidencial António José Seguro afirmou hoje que quer passar à segunda volta em primeiro lugar para impedir que o “candidato do extremismo” o faça, apelando ao voto de todos os que querem continuar “a viver em democracia”.

“Não chega passar à segunda volta, e aqui sou muito exigente, nós temos que passar à segunda volta em primeiro lugar porque não podemos permitir que, passados 50 anos sob o 25 de Abril, o candidato do extremismo e do radicalismo que insiste em nos dividir e pôr portugueses contra portugueses possa passar em primeiro lugar esta eleição”, disse Seguro numa referência a André Ventura, sem citar o seu nome ou o do partido Chega.

Para o candidato apoiado pelo PS, “este é um dever não apenas de um campo político da esquerda ou do centro-esquerda”.

“É um dever de todos os democratas, é um dever de todos os moderados, de todos os que querem continuar a viver em democracia, em liberdade, onde avançamos todos, onde construímos um pais diferente, moderno, mais justo, mas onde nos possamos respeitar uns aos outros”, sustentou.

Seguro quer assim passar à segunda volta em primeiro lugar “não por questões ideológicas, muito menos por questões partidárias, mas em nome da democracia e do futuro democrático”.

Esta fase do discurso do ex-líder do PS fez com que a audiência presente no comício desta noite no Barreiro, tivesse entoado o cântico “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”, algo que ainda não tinha sido ouvido até agora nesta campanha, uma sessão que tinha na primeira fila Helena Roseta.

No arranque da intervenção, o candidato apoiado pelo PS referiu-se à sondagem da Católica que foi esta noite conhecida e que o coloca, “embora pertinho, em segundo lugar”, atrás de André Ventura, apoiado pelo Chega.

“As sondagens animam-nos e, como se diz em Portugal, candeia que vai à frente…”, disse, deixando à audiência concluir este ditado com a frase “alumia duas vezes”.

Seguro recordou que “só passam dois candidatos à segunda volta” e considerou que ficou “claro que o único candidato moderado que pode passar à segunda volta” é ele.

“E por isso eu penso que a escolha é simples: se querem na segunda volta um candidato que vos represente – pode não ser o vosso candidato perfeito, o candidato da vossa eleição – mas que garante que na segunda volta há uma disputa equilibrada entre os dois campos políticos que existem em Portugal, pois bem esses votos têm de ser todos concentrados já na primeira volta no Seguro para que ele passe à segunda volta e possa ganhar as eleições no dia 8 de fevereiro”, apontou.

O candidato presidencial apoiado pelo PS recuperou a ideia de que, nestas eleições para a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, não está em causa “apenas uma escolha de personalidades”, mas “uma escolha entre duas visões de país”.

“Aqui, votam os democratas, contra aqueles que querem dar cabo da nossa democracia. Aqui votam aqueles que querem defender o Estado social, contra aqueles que querem atentar contra o Estado social. Aqui votam aqueles que são a favor da igualdade entre homens e mulheres, contra aqueles a quem é, no mínimo, indiferente, essa igualdade entre homens e mulheres”, comparou.

Seguro prometeu “moderação baseada na firmeza de convicções”.

“Aqui reside o respeito pelos adversários, porque essa é a primeira condição de um democrata. Aqui reside a experiência no poder local, no parlamento, no Governo, no Parlamento Europeu, que sabe enfrentar as dificuldades”, disse.

O antigo líder do PS recuou no tempo e chegou até à “outra encarnação”, quando foi líder do PS e defendeu o “interesse nacional, mesmo que isso o prejudique a si ou ao seu campo político.

“Eu vim para unir e não vou desistir enquanto não voltar a unir os portugueses”, comprometeu-se.

LUSA