Não vou em A(ventura)s e prefiro o voto Seguro

Terminada a primeira volta das eleições presidenciais, o povo votou e a sua decisão é soberana.

Sabem que eu era apoiante de Luís marques Mendes, que foi vítima da divisão de votos no seu espaço político, ao passo que António José Seguro beneficiou do voto útil à esquerda e André Ventura, que fixou o seu eleitorado (apesar de ter perdido cerca de 10.000 votos em relação às legislativas).

No novo cenário político, uns vão querer dizer que é direita contra a esquerda, mas isso não é uma leitura séria.

Outros vão querer capitalizar uma vitória (na primeira volta) de um candidato que eles próprios não queriam e que, se calhar, até gostam menos de ele que eu.

Quero recordar os estimados leitores, que o Partido Socialista quase fez uma licitação pública para encontrar um candidato do seu espaço político, desde João Centeno a Augusto Santos Silva, passando por Sampaio da Nóvoa, António Vitorino, Carlos César, etc, etc e todos eles falharam, de forma que tiveram de “engolir” um candidato que, desde a primeira hora, tudo fizeram para boicotar e agora estão a comemorar como se tivesse sido o “seu candidato” desde a primeira hora. É preciso descaramento!

Chegados aqui, de facto esta eleição não é da “esquerda contra a direita”, nem do “sistema contra quem está contra o “sistema”, porque se assim fosse, em bom rigor, quem está no sistema, quem tem sido candidato a tudo o que mexe é André Ventura e quem está afastado há muitos anos é António José Seguro, que se afastou da política e seguiu a vida académica e empresarial, depois de ter sido afastado do seu partido de uma forma bastante cruel por António Costa. Lembram-se do “poucochinho”? tinha o PS, liderado por Seguro, acabado de ganhar umas eleições europeias.

Enfim, um político que tem no currículo ter lutado, dentro do partido (bem sei o quão difícil isso é) contra o então “todo poderoso” José Sócrates e que não foi “Costista”, bem pelo contrário, pois foi por ele(s) traído e que foi um político responsável numa altura difícil (intervenção da Troika” e soube pagar uma factura de uma despesa que tinha sido feita por outrem, ou seja, que assumiu humildemente a responsabilidade do PS pelo endividamento com que Sócrates deixou o Paiís, sem nunca se tentar desculpar e sempre colaborando com o governo de Pedro Passos Coelho, sem se aproveitar das medidas difíceis a tomar, revela carácter e terá sempre a minha admiração, pelo que não me é difícil votar em António José Seguro, apesar de provir do Partido Socialista, mas, como disse, se calhar os seus camaradas gostam menos dele do que eu.

Por outro lado, temos um candidato que diz lutar contra o regime, mas alimenta-se dele – recebe as subvenções, como todos os outros, é Deputado na A.R. há vários mandatos, é Conselheiro de Estado e tudo o mais, logo, afinal de contas, contra que regime é Ventura?

Mas mais, um dia quer ser Primeiro-Ministro, no outro quer ser Presidente da República, ainda sendo deputado, não abdica de baralhar os eleitores menos esclarecidos ao aparecer em todas os municípios do país, juntos dos candidatos a essas autarquias, apresenta propostas claramente inconstitucionais, fomenta o ódio, não cumpre a própria palavra, apresentando-se despudoradamente a dar versões diferentes sobre o mesmo facto, por vezes no próprio dia e mais do que uma vez, logo, com este cartão de visita, em contraponto do cartão de visita do outro candidato, a escolha parece-me obvia, pelo menos para mim.

Por fim, como dirigente do PSD, não quero que alguém que há menos de um ano perdeu as eleições com a AD, venha agora, numas eleições diferentes e num cenário diferente, somar os votos que eventualmente pudesse ter (de algum incauto que vá na conversa da esquerda/direita) dizer que é o líder da direita, quando sabe que esse trono tem dono.

Assim, não vou em A(Ventura)s e prefiro o voto Seguro.