Texto do dramaturgo norueguês é interpretado pelos atores Marcello Urgeghe, Maria João Luís, Erica Rodrigues, Rúben Gomes, Sílvia Figueiredo, Rodrigo Saraiva e Filipe Gomes.
O Teatro da Terra tem em cena, até domingo, no Teatro Joaquim Benite, em Almada, o espetáculo “Quando nós os Mortos, Despertamos”. Encenada por António Simão, a peça retrata o último texto escrito pelo dramaturgo norueguês Henrike Ibsen, em 1899, e promove uma viagem pela obra deste autor.
“É um espetáculo muito especial porque é a última peça dele, um pouco mais curta do que o habitual. Achei interessante porque apresenta uma estrutura diferente das outras, mais fragmentada. O autor faz aqui uma espécie de súmula, tem assuntos e personagens recorrentes da sua obra, é como se fosse um resumo do seu trabalho”, começa por explicar o encenador ao Semmais.
Além do conhecimento e interesse de António Simão sobre a obra de Ibsen, uma das principais razões para o encenador ter decidido pegar neste texto com o Teatro da Terra foi, segundo revela, a personagem “Irene Rubec”, que é interpretada pela atriz Maria João Luís. “A Irene é uma ex modelo de um escultor, que perdeu a vida porque se dedicou à arte. Há aqui uma espécie de alegoria, dela ficar perdida numa arte, num desejo estético e artístico, que acabou por não consumar, uma obra de arte inacabada”, revela o responsável.
Arte, o papel da mulher e arrependimento
A Maria João Luís, juntam- -se os atores Marcello Ureghe, Erica Rodrigues, Rúben Gomes, Sílvia Figueiredo, Rodrigo Saraiva e Filipe Gomes, que com as suas personagens compõem esta dramaturgia, passada num ambiente um pouco pesado, de fim de ciclo, quase, como define o encenador. “É uma peça sobre a arte, mas também sobre a passagem do tempo, o papel da mulher naquela sociedade e que se calhar não está assim muito distante. Fala também sobre a velhice e, talvez o que é mais sensível, é o arrependimento do amor, algo que se perdeu, mas que ficou para sempre, do amor não consumado”, explica o dramaturgo.
Para António Simão este é um texto “de grande interesse”, porque além de atravessar o trabalho do dramaturgo nórdico e abordar “questões sensíveis”, cimenta ainda o seu trabalho “como um dos pais do teatro moderno”. “Ele com este texto vai ao romantismo, quando iniciou a sua carreira, mas também adivinha já alguma modernidade. Tem uma estrutura sucinta, fragmentada, mas que nos dá algumas novidades, por exemplo, por ser a primeira peça do Ibsen em que a ação decorre nos exteriores, e não dentro de uma casa”, explica o encenador.



