Concelho recebe os grupos “Al-Andalus Project” e “Milo Ke Mandarini” já este fim-de-semana. No dia 28 é a vez de “Bilad Al-Sham”.
O Festival de Música Al-Mutamid, que homenageia o rei poeta árabe nascido em Beja e a cultura de Al-Andalus, regressa ao distrito e, na edição deste ano, leva três espetáculos a Santiago do Cacém, dois este fim-de-semana, em Ermidas-Sado e Alvalade, e outro no dia 28 na sede do concelho.
Amanhã, sábado, sobe ao palco “Al- -Andalus Project”, no Cine Teatro Vitória, e no dia seguinte o grupo “Milo Ke Mandarini”, no Auditório Municipal de Alvalade. “O primeiro espetáculo é de dois multi-instrumentistas espanhóis, o Emilio Villalba e a Sara Marina, que se apresentam com uma bailarina. É um concerto de músicas do mediterrâneo, com sons judaico sefardita, medieval cristã e árabe andalusí, interpretado com instrumentos históricos de Al-Andalus, do Mediterrâneo e do Medievo. No dia seguinte, o grupo Milo Ke Mandarini, traz um espetáculo dedicado a peças tradicionais, sobretudo o cancioneiro anónimo judaico sefardita. São músicas que se ouviam em Al-Andalus, interpretada por judeus, cantada em ladino, que era a língua que os sefarditas cantavam, assim uma mistura de português com o castelhano antigo”, explica ao Semmais, João Vieira, diretor artístico do festival.
Já no dia 28, o certame apresenta no Auditório Municipal António Chainho, um concerto de música e dança oriental pelo grupo “Bilad Al-Sham”. “Este espetáculo é um pouco maior. Saímos da linha dos outros espetáculos e vamos um bocadinho para o Oriente e o Magreb, com composições e sonoridades de Marrocos, Egito e da Turquia”, acrescenta o mesmo responsável.
A promover o legado do rei poeta Al- -Mutamid e a herança árabe e medieval na cultura portuguesa, o festival que começou no Algarve e passou pelo Alentejo, já chega à região de Leiria. “Acho que o balanço que podemos fazer é positivo. Surgimos numa altura em que a oferta cultural no Algarve e no Alentejo era um pouco dispersa e não era tanta, nestes meses, entre janeiro e março. O público é muito interessado e tem sustentado o nosso festival. É por ele que continuamos a abrir e a encher as salas nos espetáculos”; considera João Vieira.
Para o responsável, a presença do festival no distrito vai também ao encontro da herança e ligação com estes povos e culturas que aqui povoaram e viveram no passado. “Na época Al-Mutamid, este território de influência árabe chegava mais ou menos até Leiria. Portanto toda esta zona, incluindo o distrito de Setúbal, é o que mais se identifica, a nível de vestígios, a nível cultural com a herança árabe e medieval. E o festival tem o papel de levar esta cultura, de promover a música mais culta do mundo árabe nestes territórios”, acrescenta o diretor do certame



