Espetáculo de Sérgio Azevedo, com direção artística de Jorge Salgueiro, retrata a redenção de uma mulher que, dominada pela ganância, explora uma menina quase até à exaustação.
O espetáculo “A Menina Garça”, integrado no projeto Ópera para Bebés e promovido pela Associação Setúbal Voz, sobe ao palco do Fórum Luísa Todi, em Setúbal, este domingo. O libreto de Sérgio Azevedo e direção artística de Jorge Salgueiro, inspira‑se num conto tradicional japonês e é dirigida ao público da primeira infância.
Em cena, é retratada a relação entre uma mulher dominada pela ganância e a Menina Garça, submetida até à exaustão. “Falamos de uma mulher que acaba por explorar a Menina Garça. No final, reconhece o mal que fez, pede desculpa e devolve todos os bens que a menina, quase num verdadeiro trabalho escravo, conseguiu para ela”, explica Jorge Salgueiro, em declarações ao Semmais.
Para o maestro e diretor artístico, o espetáculo vai muito além da narrativa. A forma como a história é contada, através da “estética vocal e musical”, serve de ponto de partida para a introdução de temas sensíveis e atuais, como a ambição desmedida, a relação com os animais e a diversidade. “Se as crianças forem expostas a estes conceitos desde cedo, como a diversidade artística e musical, as diferentes origens e o respeito pelo próximo, vão tornar‑se pessoas menos preconceituosas e com uma visão do mundo mais ampla”, considera o responsável.
Com o apoio científico da psicóloga infantil Rute Silva, a direção artística procura que o espetáculo, à semelhança do que tem acontecido no projeto, seja atrativo e estimulante para o público mais jovem. “Neste caso, os bebés estão ao nível do espetáculo e à volta dos cantores e dos músicos. Existe uma proximidade de cerca de dois, três ou quatro metros entre o público e os artistas. Há também uma preocupação com as cores e o movimento, para que as crianças consigam acompanhar a ação e não percam o foco”, destaca o maestro.
Em curso há pouco mais de três anos, o projeto no qual se insere este espetáculo tem sido, nas palavras de Jorge Salgueiro, “um verdadeiro sucesso”: “As nossas atividades têm sido muito procuradas, o que nos deixa felizes. Trabalhamos com crianças desde o berço até aos seis anos e com formas de cantar a que normalmente não têm grande acesso nestas idades. Nestes espetáculos, têm a possibilidade de contactar com expressões artísticas diferentes de tudo aquilo a que estão habituadas, seja o que passa na televisão, nas redes sociais ou mesmo o que os pais lhes dão”.
O diretor artístico sublinha ainda que, para além da introdução de diferentes estilos musicais, o projeto estimula o desenvolvimento global da criança. “Sabemos que estamos também a promover o desenvolvimento físico e vocal, porque nestes espetáculos descobrem novas formas de usar a voz, de cantar e de se expressarem”, acrescenta.



