O património cultural edificado de Alcácer do Sal ficou com graves danos devido ao mau tempo, revelou esta quinta-feira a CCDR do Alentejo, que tem registo de estragos em imóveis históricos em pelo menos mais seis concelhos da região.
“Em Alcácer do Sal, temos uma situação muitíssimo crítica a todos os níveis”, afirmou à agência Lusa Ana Paula Amendoeira, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo para a área da cultura.
Mesmo tendo assinalado que o organismo ainda tem em curso “um levantamento sistemático do património” afectado pelas inundações e derrocadas provocadas pelas intempéries naquele concelho, a responsável afirmou que o cenário é desolador.
“Tivemos a afectação muito grave de reservas arqueológicas, museu, igrejas e outro património classificado”, salientou, reiterando que “só na área do património a situação é de grande complexidade”.
Ana Paula Amendoeira lembrou que a situação mais urgente envolveu a estabilização da encosta do Castelo de Alcácer do Sal, porque havia risco de desmoronamento, indicando que a zona, depois de intervencionada pelo Exército, está agora a ser monitorizada.
Algumas zonas urbanas da cidade estiveram inundadas durante vários dias, entre o final de Janeiro e o início deste mês, devido à subida do caudal do Rio Sado.
Ana Paula Amendoeira disse que, na região do Alentejo, a primeira ocorrência que chegou ao conhecimento da CCDR foi a derrocada de um troço do baluarte seiscentista da fortificação de Estremoz, distrito de Évora, logo no dia 28 de Janeiro, data da passagem da depressão Kristin pelo território nacional.
Ainda em Estremoz, a Ermida de Nossa Senhora dos Mártires ficou sem algumas telhas na cobertura e a Igreja da Misericórdia tem infiltrações que danificaram azulejos, referiu a vice-presidente da CCDR.
Este período de tempestades também originou a derrocada de um troço da fortificação do Castelo de Elvas, distrito de Portalegre, e, já esta semana, o desabamento parcial do paramento da muralha do Castelo de Monsaraz, no concelho de Reguengos de Monsaraz, distrito de Évora.
De acordo com Ana Paula Amendoeira, também desmoronou uma parte do paramento interior da nora do Núcleo Intramuros de Serpa (distrito de Beja) e, em Marvão, distrito de Portalegre, o Convento de Nossa Senhora da Estrela perdeu telhas e ficou com infiltrações.
Na povoação de Vila Ruiva, no concelho de Cuba, distrito de Beja, a Ermida da Senhora das Represas e as igrejas Matriz e da Misericórdia também ficaram com as coberturas afectadas e tiveram abundantes entradas de água que fizeram estragos no património integrado.
Os danos foram comunicados à CCDR do Alentejo pelos municípios ou entidades proprietárias, esclareceu Amendoeira, sublinhando que o levantamento ainda não está fechado, pois, “todos os dias chegam novas ocorrências”.
“Nos próximos dias ou semanas, mesmo que o tempo estabilize, pode haver outras ocorrências” resultantes do mau tempo e “um agudizar das condições de conservação de alguns sítios que são mais frágeis”, advertiu.
Assumindo que muitos dos edifícios agora afectados já tinham algumas fragilidades devido à falta de manutenção, a vice-presidente da CCDR do Alentejo admitiu que, para a sua reparação, serão necessários “alguns milhões de euros”.






